Seu próximo capítulo começa com uma oportunidade.Encontre sua bolsa ↗
Encontre sua bolsa
Ensino Médio

Crase na redação: como usar corretamente e surpreender

Crase na redação: como usar corretamente para melhorar seu texto e evitar erros comuns na produção textual. Aprenda dicas práticas e regras essenciais.

Centro de Estudos Online8 min de leitura estimadaAtualização do texto:
Começar leitura

Crase na redação: como usar corretamente

A crase é a fusão de duas vogais idênticas, geralmente a preposição “a” com o artigo definido feminino “a” ou “as”, ou com os pronomes demonstrativos “a”, “as”, “aquilo”, “aquele” e “aquela”. Na escrita, essa fusão é indicada pelo acento grave (à). Compreender o uso da crase é fundamental para a correção gramatical e clareza textual, especialmente em exames como o ENEM e vestibulares.

O uso correto da crase é um dos aspectos que mais geram dúvidas entre os estudantes, mas dominá-lo demonstra um bom domínio da norma culta da língua portuguesa. Seu emprego inadequado pode alterar o sentido da frase ou caracterizar um erro gramatical grave. Por isso, é essencial entender as regras básicas para aplicá-la sem receios em sua redação.

Dominar a crase não apenas garante pontos importantes em provas de redação, mas também contribui para uma comunicação mais eficaz e precisa no dia a dia. Este guia abordará as situações em que a crase é obrigatória, proibida e facultativa, fornecendo exemplos claros e exercícios para fixação.

O que é a Crase

A crase, como mencionado, é a contração da preposição a com:

  • O artigo definido feminino a ou as.
  • Os pronomes demonstrativos a, as, aquela(s), aquele(s), aquilo.

Para que a crase ocorra, é necessário que haja a regência de um termo (verbo ou nome) que exija a preposição “a” e, ao mesmo tempo, um termo seguinte que admita o artigo “a”, o pronome “a”, ou os pronomes iniciados por “aquele”.

Regra Fundamental da Crase

A regra de ouro para o uso da crase pode ser resumida na seguinte lógica: se o termo que exige preposição “a” pede a e o termo que segue aceita a (artigo ou pronome), então ocorre à.

Uma forma prática de verificar se a crase é necessária é substituir a palavra feminina por uma masculina. Se, ao fazer a substituição, a preposição “a” se transformar em “ao”, a crase deverá ser utilizada.

Exemplo:

Fui à feira. (Quem vai, vai a algum lugar; feira é palavra feminina e aceita “a”, “a feira”)

Substituindo por palavra masculina: Fui ao mercado. (Como “ao” aparece, há crase em “à feira”).

Casos de Uso Obrigatório da Crase

Existem situações específicas em que o uso da crase é mandatório, e sua ausência constitui erro.

1. Diante de Palavras Femininas que Pedem o Artigo “a” ou “as”

Quando o verbo ou nome exige a preposição “a” e o substantivo feminino aceita o artigo “a” (ou “as”).

Exemplos:

Ele se dirigiu à diretora. (Quem se dirige, se dirige a alguém; diretora aceita o artigo a)

Dedicou-se às pesquisas. (Quem se dedica, se dedica a algo; pesquisas aceitam o artigo as)

2. Locuções Adverbiais Femininas de Tempo, Modo ou Lugar

São expressões fixas que indicam circunstância.

  • Tempo: à noite, à tarde, às vezes, às claras, à medida que.
  • Modo: à moda de, à francesa, à vontade.
  • Lugar: à direita, à esquerda, à beira de.

Exemplos:

Chegaremos à noite.

O prato foi feito à moda da casa.

Ele estuda às escondidas.

3. Locuções Prepositivas e Conjuntivas Femininas

São expressões que funcionam como preposição ou conjunção e terminam em “a”.

  • Locuções prepositivas: à frente de, à custa de, à procura de.
  • Locuções conjuntivas: à medida que, à proporção que.

Exemplos:

Ele estava à frente da turma.

À medida que o tempo passava, ficamos preocupados.

4. Diante dos Pronomes Demonstrativos “aquele(s)”, “aquela(s)” e “aquilo”

Isso ocorre quando o termo anterior exige a preposição “a”.

Exemplos:

Refiro-me àquele professor. (Quem se refere, se refere a alguém; aquele professor)

Entreguei o presente àquela senhora. (Quem entrega, entrega a alguém; aquela senhora)

Não dê importância àquilo que ele disse. (Quem dá importância, dá importância a algo; aquilo)

Casos de Crase Proibida

A crase nunca deve ser utilizada nas seguintes situações:

1. Antes de Palavras Masculinas

Como a crase é a fusão de “a” + “a”, ela só pode ocorrer diante de termos femininos que admitam o artigo.

Exemplos:

Andamos a pé. (pé é palavra masculina)

Escreveu a lápis. (lápis é palavra masculina)

2. Antes de Verbos

Verbos não admitem artigo antes deles.

Exemplos:

Começou a chover.

Estamos dispostos a ajudar.

3. Antes de Pronomes Pessoais e Indefinidos

Pronomes pessoais (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas, mim, ti, si, o, a, os, as, lhe, lhes, comigo, contigo, consigo, conosco, convosco) e pronomes indefinidos (algum, nenhum, toda, cada, etc.) não admitem artigo “a”.

Exemplos:

Entreguei o livro a ela.

Não disse nada a ninguém.

Exceções: Pronomes de tratamento como “senhora”, “senhorita”, “madame” admitem crase (ex: à senhora, à dona).

4. Antes de Artigos Indefinidos

(Uma, umas) — “a” + “uma” = a uma sem crase.

Exemplos:

Refiro-me a uma aluna.

Ele entregou a carta a uma desconhecida.

5. Antes de Numerais Cardinais

Exceto quando indicam horas.

Exemplos:

Chegou a duas horas. (Duas horas de duração, não de relógio)

Comprei a prazo. (Prazo é palavra masculina)

6. Entre Palavras Repetidas

Exemplos:

Cara a cara

Dia a dia

Gota a gota

Casos de Crase Facultativa

A crase é opcional em algumas situações, ou seja, seu uso é uma escolha do redator e ambas as formas (com ou sem crase) são consideradas corretas.

1. Antes de Nomes Próprios Femininos

Quando não há ambiguidade e o nome próprio admite o artigo “a”.

Exemplos:

Entreguei o presente a Maria. ou Entreguei o presente à Maria.

Refiro-me a Ana. ou Refiro-me à Ana.

Observação: Se houver um termo determinante, o uso da crase pode se tornar obrigatório para evitar ambiguidade. Ex: Dediquei-me à Maria de Oliveira (especificando a Maria).

2. Depois da Preposição “até”

Quando “até” é seguido de um substantivo feminino que admitiria o artigo “a”.

Exemplos:

Fui até a praça. ou Fui até à praça.

A palestra irá até a uma hora. ou A palestra irá até à uma hora.

3. Antes de Pronomes Possessivos Femininos Singulares

Minha, tua, sua, nossa, vossa.

Exemplos:

Dirigi-me a minha mãe. ou Dirigi-me à minha mãe.

Ele se referia a sua tia. ou Ele se referia à sua tia.

Observação: Se o pronome possessivo feminino for plural (minhas, suas, nossas), a crase é obrigatória se houver a preposição “a”. Ex: Refiro-me às suas propostas.

Crase Indicando Horas

A crase é sempre obrigatória quando a preposição “a” indica o substantivo feminino “horas” (de relógio).

Exemplos:

A reunião começa às 10h.

Chegarei à meia-noite.

Marquei compromisso para às 14h.

Cuidado: Se a hora for precedida de outras preposições como “para”, “desde”, “até”, “após”, não haverá crase.

Exemplos:

A aula será das 8h às 12h.

A palestra estendeu-se até as 20h. Não: até às 20h.

Erros Comuns e Revisão Final

Para evitar erros de crase na redação:

  • Teste da palavra masculina: Substitua a palavra feminina por uma masculina similar. Se aparecer “ao”, há crase.
  • Teste do “volto de”: Se você volta de (e não da), não use crase. Se você volta da, use crase. Exemplo: “Vou à praia” (volto da praia); “Vou a Brasília” (volto de Brasília).
  • Atenção às locuções: Memorize as locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas que exigem crase.

Revisar a redação com foco na crase é um passo crucial. Muitos erros podem ser evitados com uma simples releitura e aplicação dessas regras.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2015 – Adaptado)

Assinale a alternativa em que o uso do acento grave indicativo de crase está correto.

  • a) Voltaremos as aulas semana que vem.
  • b) Ele se dirigiu a todos os presentes.
  • c) Fomos à casa de minha avó.
  • d) O trabalho deve ser entregue à prazo.
  • e) Chegou a tempo de pegar o ônibus.

Resposta: Alternativa c: A regência do verbo “ir” pede preposição “a” (quem vai, vai a algum lugar), e “casa de minha avó” é um termo feminino determinado que aceita artigo.

2. (FCC – Adaptado)

Observe as frases abaixo e marque a opção que preenche corretamente as lacunas, respectivamente.

I. Eles se referiam _____ diretora que chegou ontem.
II. Dedicou-se _____ leitura de bons livros.
III. Os turistas voltaram _____ Paris.

  • a) à – à – a
  • b) a – a – à
  • c) à – a – à
  • d) a – à – a
  • e) à – à – à

Resposta: Alternativa a:
I. “Referir-se a” + “a diretora” = “à diretora” (obrigatório).
II. “Dedicar-se a” + “a leitura” = “à leitura” (obrigatório).
III. “Voltar de” Paris (não “voltar da” Paris), logo, não há crase antes de “Paris” quando o sentido é “para Paris”. Portanto, “voltaram a Paris”.

3. (UNESP – Adaptado)

Em qual das frases abaixo o emprego do acento indicador de crase é facultativo?

  • a) Chegamos à casa do amigo.
  • b) Ele se entregou à preguiça.
  • c) Dirigiu-se à sua mãe.
  • d) Não fomos à Bahia este ano.
  • e) A palestra foi das 8h às 10h.

Resposta: Alternativa c: Conforme a regra, a crase é facultativa antes de pronomes possessivos femininos singulares, como “sua”.

4. (CESGRANRIO – Adaptado)

Assinale a opção em que a frase apresenta erro no emprego do sinal indicativo de crase.

  • a) A palestra iniciou-se às 19h.
  • b) Ele foi à Brasília.
  • c) Fui à feira livre.
  • d) Dirigi-me àquele lugar.
  • e) Obedeceu às regras.

Resposta: Alternativa b: Com o teste do “voltar de/da”, “quem vai a Brasília, volta de Brasília” (não da Brasília), portanto, não há crase. Quem vai a é “a”, quem vai à é “à”.

Equipe editorial · Centro de Estudos Online

Conteúdo preparado com apoio de inteligência artificial. Veja nossa política editorial.

Sobre a produção editorial
CONTINUE EXPLORANDO

Qual será sua próxima descoberta?

Volte à biblioteca para encontrar outros assuntos e seguir aprendendo no seu ritmo.

Explorar ensino médio Voltar ao início ↑