Emprego das letras: explicação prática e fácil de entender

Língua Portuguesa

Emprego das letras: explicação prática

O emprego das letras refere-se à escolha correta de grafemas (letras) para representar os fonemas (sons) da língua portuguesa em palavras escritas. Essa escolha é fundamental para a clareza da comunicação, a correta compreensão do texto e o bom desempenho em avaliações como o ENEM e vestibulares.

A ortografia, que estuda a forma correta de escrever as palavras, é um dos pilares da gramática normativa. Dominar o emprego das letras evita ambiguidades, facilita a leitura e demonstra o domínio do falante sobre a língua escrita.

Estudar o emprego das letras é essencial para todos os estudantes, pois uma escrita cuidadosa e correta é valorizada em todas as esferas acadêmicas e profissionais.

Características do emprego das letras

O emprego correto das letras em português é marcado por algumas características importantes que merecem atenção:

  • Origem etimológica: Muitas palavras mantêm a grafia de sua origem latina ou grega, mesmo que a pronúncia tenha se alterado.
  • Homofonia: Existem letras que representam sons semelhantes ou idênticos, exigindo atenção para a escolha correta (ex: “s” e “z”, “x” e “ch”, “g” e “j”).
  • Regras contextuais: A escolha de certas letras depende da posição da sílaba, da terminação da palavra ou da presença de outras letras.
  • Palavras de uso frequente: Determinadas palavras precisam ser memorizadas devido à sua frequência e particularidades ortográficas.

Principais Dificuldades no Emprego das Letras

Algumas combinações de letras e sons causam mais dúvidas na hora de escrever. É importante focar nessas áreas para melhorar a escrita.

Emprego do “S” e “Z”

A confusão entre “s” e “z” é comum, especialmente em final de palavras ou entre vogais.

Regras gerais:

  • Usa-se “s”:
    • Em palavras derivadas de outras com “s” (ex: casa -> casinha).
    • Em graus aumentativos e diminutivos com terminação “-oso(a)” (ex: beleza -> belozão, mas gostoso).
    • Em verbos no final “-izar” quando o radical não termina em “s” (ex: analisar).
    • Em palavras com sons de “s” no início, meio ou fim (ex: sapo, mesa, país).
  • Usa-se “z”:
    • Em palavras derivadas de outras com “z” (ex: gás -> gaseificar).
    • Em substantivos abstratos derivados de adjetivos com terminação “-ez” ou “-eza” (ex: surdo -> surdez, belo -> beleza).
    • Em verbos no final “-izar” quando o radical termina em “s” (ex: pesquisa -> pesquisar).
    • Em palavras que naturalmente possuem o som de “z” (ex: zero, zelo).

Uma pessoa prezosa não se pode dar ao luxo de cometer erros ortográficos, pois isso pode comprometer sua beleza de expressão e a sua organizáção de ideias. O analista de textos precisa ter atenção aos detalhes para pesquisar as fontes corretas e evitar erros.

Emprego do “X” e “CH”

As letras “x” e “ch” representam sons que, em muitos casos, são idênticos na fala, gerando insegurança na escrita.

Regras gerais:

  • Usa-se “ch”:
    • Na maioria das palavras de origem portuguesa (ex: chuva, chave, chinelo).
    • Em algumas palavras de origem estrangeira (ex: xampu – do inglês shampoo, mas a grafia consagrada é com “x”).
  • Usa-se “x”:
    • Em palavras de origem indígena ou africana (ex: abacaxi, xícara, mandioca).
    • Em palavras de origem estrangeira (ex: tórax, saxofone).
    • Após a sílaba inicial “en-” (ex: enxugar, enxame, enxergar). Há exceções como enraizar, enarcar.
    • Em algumas palavras de uso comum (ex: caixa, exemplo, texto).

O xerife observou a chuva que caía sobre a caixa de xarope. Ele precisava enxugar o excesso de água e garantir que a mercadoria não fosse danificada. O taxista aguardava do lado de fora, pronto para levar a carga.

Emprego do “G” e “J”

A confusão entre “g” e “j” é recorrente, pois ambas as letras podem representar o mesmo som em determinadas posições.

Regras gerais:

  • Usa-se “g”:
    • Em palavras derivadas de outras com “g” (ex: viagem (substantivo) -> viajar (verbo)).
    • Em palavras que começam com “ge-” ou “gi-“, exceto em casos consagrados (ex: gelo, girafa, sugestão).
    • Em palavras terminadas em “-agem”, “-igem”, “-ugem” (ex: coragem, ferrugem, origem).
  • Usa-se “j”:
    • Em palavras derivadas de outras com “j” (ex: loja -> lojinha).
    • Em palavras de origem estrangeira (ex: jipe, jacaré).
    • Em palavras com as terminações “-agem”, “-ejar”, “-ojar” (ex: viagem (verbo), desejar, rejeitar).

O gerente pediu que o ajeitassem a sala para a reunião. Ele queria sugestões para a nova campanha de marketing. A viagem do time de futebol seria para o Sul, e eles precisariam de um jipe para o trajeto final.

Emprego de Vogais e Semivogais

A troca de vogais e semivogais em ditongos e tritongos, e a representação de alguns sons vocálicos por letras específicas, também geram dúvidas.

Regras gerais:

  • O som nasal após uma vogal pode ser representado por “m” ou “n”. Geralmente usa-se “m” antes de “p” e “b”, e “n” nos demais casos. (ex: campo, cinza).
  • Em final de palavra, o som “-am” em verbos da 3ª pessoa do plural é diferente do som “-ão” (ex: Eles falaram vs. Eles falam).

Os estudantes chegaram para a prova e, rapidamente, escreveram as primeiras palavras. Pensaram nas regras de ortografia que haviam estudado. A intenção era ter uma boa pontuação, pois sabiam o quanto isso era importante para o futuro.

Como praticar o emprego correto das letras

A prática constante é o segredo para dominar o emprego das letras.

Leitura atenta

Leia livros, jornais, revistas e artigos com foco na forma como as palavras são escritas. Observe as grafias que geram dúvida e as tente memorizar.

Escrita frequente

Escreva regularmente: redações, resumos, e-mails. Ao escrever, preste atenção às palavras que você tem dificuldade.

Consulta ao dicionário

Não hesite em consultar um bom dicionário sempre que tiver dúvida sobre a grafia de uma palavra.

Exercícios específicos

Realize exercícios de fixação sobre o emprego de letras específicas (s/z, x/ch, g/j, m/n, etc.).

Revisão de textos

Ao terminar de escrever qualquer texto, revise-o com atenção, buscando erros ortográficos.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2023)

Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas corretamente:

  • a) Enxergar, rije, magestade
  • b) Exceção, privilégio, mexer
  • c) Jiló, sonzeira, pajem
  • d) Caxumba, hesitar, parceiro
  • e) Arreganhar, pesquisa, gorja

Resposta: Alternativa b: A palavra “exceção” é com “xc”. “Privilégio” tem “g”. “Mexer” é com “x”. As demais alternativas contêm erros: “rije” (de rijo) é com “j”, “magestade” é com “g”; “jiló” é com “j”, “sonzeira” é com “z”, “pajem” é com “j”; “caxumba” é com “x”, “hesitar” é com “h”, “parceiro” é com “c”; “arreganhar” é com “rr” e “g”, “pesquisa” é com “s”, “gorja” é com “g”.

2. (Vestibular Unicamp)

Complete as frases com as palavras corretas entre parênteses:

  1. O ___________ (jeito/geito) de falar daquele ___________ (pajem/pagem) impressionou a todos.
  2. A ___________ (coragem/corajem) de ___________ (viajar/viajem) para outro país é admirável.
  3. O ___________ (analisar/analizar) dos dados foi feito pelo ___________ (pesquisador/pesquizador).

Resposta:

I. O jeito (palavra de uso geral com “j”) de falar daquele pajem (palavra consagrada com “j”) impressionou a todos.

II. A coragem (terminação “-agem” com “g”) de viajar (verbo derivado de viagem com “j”) para outro país é admirável.

III. O analisar (verbo com radical “analis” -> “-isar”) dos dados foi feito pelo pesquisador (palavra com “s” no radical -> “-isar”).

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