Relações internacionais: conceitos básicos que você precisa saber

Ciências Humanas e Sociais Aplicadas

Relações internacionais: conceitos básicos

As relações internacionais referem-se ao estudo e à prática das interações entre os diversos atores no cenário global, abrangendo não apenas os Estados, mas também organizações internacionais, empresas multinacionais, ONGs e indivíduos. Elas buscam compreender os complexos fluxos de poder, cooperação, conflito e interdependência que moldam o mundo contemporâneo.

Este campo de estudo é fundamental para a análise geopolítica, pois desvenda as dinâmicas que levam à formação de alianças, à eclosão de guerras, à negociação de acordos comerciais e à busca por soluções para problemas globais como mudanças climáticas e crises humanitárias. Compreender esses conceitos é o primeiro passo para analisar a posição do Brasil no mundo e os desafios enfrentados pela comunidade internacional.

No contexto do ENEM e de vestibulares, o domínio desses conceitos básicos é crucial para a interpretação de textos, análise de mapas e a resolução de questões que abordam conflitos, acordos e a ordem mundial.

O Estado e a Soberania

O Estado é o principal ator nas relações internacionais. Ele é definido como uma organização política com um território delimitado, uma população permanente e um governo com soberania, ou seja, a autoridade suprema e independente sobre seu território e sua população. A soberania implica que o Estado não reconhece autoridade superior a si mesmo dentro de suas fronteiras e tem o direito de se autogovernar.

A noção de soberania é central para entender a organização do sistema internacional. Ela garante que cada Estado tenha o direito de determinar seus próprios assuntos internos e externos sem interferência externa. No entanto, na prática, a soberania dos Estados é frequentemente influenciada por fatores externos, como acordos internacionais, pressões econômicas e a dinâmica de poder entre os próprios Estados.

Essa interdependência, mesmo em um sistema de Estados soberanos, levanta questões sobre a efetividade da soberania absoluta em um mundo cada vez mais conectado. As relações internacionais examinam como essa tensão entre soberania e interdependência é gerenciada.

Anarquia Internacional e Ordem

O conceito de anarquia internacional não se refere à desordem ou ao caos, mas sim à ausência de uma autoridade central global que governe os Estados. No sistema internacional, não existe uma polícia mundial ou um governo global que possa impor leis a todos os países. Essa ausência de uma autoridade suprema é o que caracteriza a anarquia no sentido realista das relações internacionais.

Diante dessa anarquia, os Estados buscam criar uma certa ordem internacional através de diferentes mecanismos. Isso pode envolver a formação de alianças militares, a criação de organizações internacionais (como a ONU), a celebração de tratados e acordos, e o desenvolvimento de normas e leis internacionais. A ordem internacional, portanto, é construída e mantida pela interação dos próprios Estados.

As teorias das Relações Internacionais divergem sobre como essa ordem é estabelecida e mantida. Alguns teóricos enfatizam o papel do poder e da coerção, enquanto outros destacam a importância da cooperação, das instituições e das normas compartilhadas para a estabilidade global.

Atores nas Relações Internacionais

Embora o Estado seja o ator primordial, as relações internacionais reconhecem a existência de outros atores relevantes que influenciam o cenário global. A compreensão desses atores é fundamental para uma análise completa das dinâmicas internacionais.

Organizações Internacionais (OIs)

São entidades criadas por tratados entre Estados para facilitar a cooperação em áreas específicas. Exemplos incluem a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio (OMC), a União Europeia (UE) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Elas possuem personalidade jurídica própria e podem influenciar as políticas dos Estados membros.

Organizações Não Governamentais (ONGs)

Atuam em diversas áreas, como direitos humanos, meio ambiente e desenvolvimento, exercendo pressão sobre Estados e outras organizações. Exemplos notórios são a Anistia Internacional e o Greenpeace. Embora não possuam poder coercitivo, sua influência moral e capacidade de mobilização são significativas.

Empresas Multinacionais (EMNs)

Com enorme poder econômico e influência política, as EMNs operam em diversos países, impactando mercados, empregos e até mesmo políticas governamentais. Gigantes como Google, Apple e Petrobras são exemplos.

Indivíduos

Em casos específicos, indivíduos com grande influência, como líderes religiosos, filantropos ou até mesmo figuras controversas, podem moldar eventos e agendas globais.

Teorias das Relações Internacionais

Diferentes abordagens teóricas buscam explicar o funcionamento das relações internacionais. Cada uma oferece uma perspectiva distinta sobre a natureza humana, o papel do Estado e as dinâmicas de poder.

Realismo

O Realismo é uma teoria clássica que enfatiza o Estado como ator central e a busca por poder como principal motivação. Ele parte do pressuposto de um sistema internacional anárquico, onde os Estados competem por segurança e influência, levando a conflitos recorrentes.

Principais premissas:

  • O sistema internacional é anárquico.
  • Os Estados são os atores racionais e unitários mais importantes.
  • A segurança é a principal preocupação dos Estados.
  • O poder (militar e econômico) é o principal meio para garantir a segurança.

Liberalismo

Em contrapartida, o Liberalismo destaca a importância da cooperação, das instituições internacionais e dos atores não estatais. Argumenta que o comércio, a democracia e as organizações internacionais podem mitigar conflitos e promover a paz duradoura.

Principais premissas:

  • A cooperação é possível e benéfica.
  • Diversos atores (Estados, OIs, ONGs) são importantes.
  • Interdependência econômica e difusão de regimes democráticos promovem a paz.
  • Instituições internacionais facilitam a cooperação e a resolução de conflitos.

Construtivismo

O Construtivismo foca na importância das ideias, identidades e normas sociais na formação das relações internacionais. Argumenta que as percepções e interações entre os atores moldam a própria realidade do sistema internacional, sendo que a anarquia, por exemplo, é uma construção social.

Principais premissas:

  • As identidades e interesses dos atores são construídos socialmente.
  • Normas e ideias compartilham um papel fundamental.
  • A anarquia não é um estado fixo, mas uma construção social.
  • A interação entre os atores molda a realidade política internacional.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM 2022)

A Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma organização internacional que lida com as regras do comércio entre as nações. O objetivo principal da OMC é ajudar os produtores de bens e serviços, exportadores e importadores a conduzir seus negócios, permitindo que a vida melhore graças ao comércio. Ela tem como base o acordo comercial, conhecido como Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que foi negociado e assinado por muitos países no final da Segunda Guerra Mundial, e mais tarde tornado permanente sob o nome de OMC. Os países membros concordam em tratar uns aos outros de forma justa e equitativa, o que é conhecido como a Cláusula da Nação Mais Favorecida.

A formação de organizações como a OMC é uma manifestação de qual conceito nas Relações Internacionais?

  • a) Hegemonia estatal
  • b) Anarquia internacional
  • c) Interdependência regional
  • d) Cooperação internacional
  • e) Soberania nacional

Resposta: Alternativa d: A formação de organizações como a OMC demonstra o esforço dos Estados em cooperar para gerenciar suas relações comerciais e promover o desenvolvimento global, o que se alinha diretamente com o conceito de cooperação internacional.

2. (ENEM 2021)

O conceito de “poder” é central nas Relações Internacionais. Uma visão comum, associada à teoria realista, entende o poder como a capacidade de um ator internacional impor sua vontade sobre outros, mesmo contra sua resistência. Essa capacidade está frequentemente atrelada a recursos tangíveis, como força militar e poder econômico.

Considerando a definição de poder apresentada e as teorias das Relações Internacionais, a principal característica do sistema internacional, segundo a perspectiva realista, é:

  • a) A ausência de uma autoridade superior que governe os Estados.
  • b) A existência de uma clara hierarquia entre os Estados.
  • c) A predominância da cooperação entre os Estados.
  • d) A capacidade das organizações internacionais de regular os conflitos.
  • e) A importância das normas e identidades compartilhadas.

Resposta: Alternativa a: O realismo considera o sistema internacional como anárquico, ou seja, sem uma autoridade central que imponha regras aos Estados. Essa anarquia leva à competição e à busca por poder para garantir a segurança, características centrais dessa teoria.

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