Música popular brasileira (MPB): Descubra sua história e influência

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Música Popular Brasileira (MPB)

A Música Popular Brasileira (MPB) é um gênero musical que surge no Brasil a partir dos anos 1960, consolidando-se como uma fusão de diversos ritmos e estilos musicais nacionais e internacionais. Ela representa a riqueza cultural e musical do país, sendo um importante veículo de expressão social e política.

A MPB abrange uma vasta gama de sonoridades, do samba à bossa nova, do rock ao baião, incorporando elementos eruditos e folclóricos. Sua relevância vai além da arte, sendo um espelho das transformações da sociedade brasileira e das aspirações de diferentes gerações.

Estudar a MPB é fundamental para compreender a identidade cultural brasileira, sendo um tema recorrente em vestibulares e no ENEM, que frequentemente abordam suas características, artistas e impacto histórico-social.

Características

As principais características da Música Popular Brasileira (MPB) são:

  • Ecletismo musical: Combinação de ritmos brasileiros (samba, baião, frevo) com influências estrangeiras (jazz, rock, pop).
  • Sofisticação harmônica e melódica: Uso de acordes complexos e arranjos elaborados, muitas vezes com forte influência da bossa nova e da música erudita.
  • Riqueza lírica: Letras com profunda elaboração poética, que abordam temas diversos como amor, crítica social, política, cotidiano e paisagens brasileiras.
  • Engajamento político-social: Muitos artistas utilizaram a MPB como forma de contestação e expressão durante períodos conturbados da história brasileira, como a Ditadura Militar.
  • Valorização da voz e da interpretação: O canto é muitas vezes o centro da canção, com forte ênfase na expressividade e no carisma do intérprete.
  • Instrumentação variada: Utilização tanto de instrumentos tradicionais (violão, cavaquinho, percussão) quanto modernos (guitarra elétrica, baixo, bateria, sintetizadores).

Origem e Evolução

A Música Popular Brasileira (MPB) não teve um ponto de origem único, mas sim uma evolução que se conectou com importantes momentos históricos e movimentos artísticos do Brasil.

  • Década de 1960: A MPB surge do encontro e da superação da Bossa Nova e do Jovem Guarda, buscando uma sonoridade mais engajada e original. Festivais de música se tornam palco para o lançamento de novos talentos e ideias. Artistas como Elis Regina, Chico Buarque e Caetano Veloso começam a se destacar.
  • Ditadura Militar (1964-1985): A MPB assume um papel de resistência cultural. Canções carregadas de metáforas e duplos sentidos se tornam um instrumento de crítica ao regime e de conscientização social. Censura e exílio marcaram a trajetória de muitos artistas.
  • Anos 1970 e 1980: A MPB continua a se diversificar, com a ascensão do Tropicalismo e a incorporação de elementos do rock, do pop e de ritmos regionais. A chamada “geração do mimeógrafo” e o surgimento das gravadoras independentes ampliam o leque de produção.
  • Anos 1990 em diante: A MPB se mantém relevante, dialogando com as novas tendências musicais e revelando novos talentos. Há um contínuo processo de renovação, com a experimentação de eletrônica e outras sonoridades, ao mesmo tempo em que a tradição é valorizada.

Principais Artistas e Fases

O legado da MPB é construído por uma miríade de artistas que, ao longo das décadas, contribuíram para sua diversidade e riqueza.

Bossa Nova como Base (Anos 50/60)

Embora não seja MPB em si, a Bossa Nova, com sua sofisticação harmônica e melódica, serviu de fundação para o que viria a ser a MPB. Artistas como João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes revolucionaram a música brasileira.

Exemplo:

“Chega de saudade a realidade é que sem ela não há paz. Não há beleza, é só tristeza e a melancolia que não passa de saudade.”
(Trecho de “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

Geração dos Festivais (Anos 60)

A consagração da MPB se deu nos festivais de música da TV, revelando nomes como:

  • Elis Regina: Cantora de potência e interpretação inigualáveis.
  • Chico Buarque: Compositor e letrista com rara sensibilidade poética e social.
  • Geraldo Vandré: Com canções de forte engajamento, como “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”.
  • Roberto Carlos (em sua fase inicial): Com seu talento para baladas românticas e rock ‘n’ roll no contexto da Jovem Guarda, que dialogava com a MPB.

Tropicalismo (Fim dos Anos 60)

Um movimento essencial que expandiu as fronteiras da MPB, misturando elementos da cultura pop, rock, psicodelia e ritmos brasileiros.

  • Caetano Veloso: Um dos líderes do movimento, com composições complexas e inovadoras.
  • Gilberto Gil: Experimentador de sonoridades e ritmos, com forte ligação à cultura afro-brasileira.
  • Gal Costa e Maria Bethânia: Intérpretes que deram voz às canções tropialistas e se consolidaram como grandes nomes da música brasileira.

Exemplo:

“Alegria, alegria o sol se reparte em crimes, espaçonaves, guerrilhas, em cardinales, bonitas, em Iemanjá. Alegria, alegria o sol se reparte em crimes, espaçonaves, guerrilhas, em cardinales, bonitas, em Iemanjá que nunca mais terei saudade. Alegria, alegria, o sol se reparte em milhões de pedaços e nunca mais terei saudade.”
(Trecho de “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso)

Pós-Tropicalismo e Anos 70/80

A MPB segue se renovando com artistas como:

  • Milton Nascimento: Com sua sonoridade única e lírica universal.
  • Djavan: Compositor e cantor com um estilo jazzístico e poético particular.
  • Rita Lee: A “rainha do rock brasileiro”, que transitou com maestria entre o rock e a MPB.
  • Legião Urbana e Cazuza (na virada para os anos 80): Com canções de forte crítica social e existencial em um contexto de abertura política.

A MPB como Expressão Artística e Social

A Música Popular Brasileira é mais do que um gênero musical; é um fenômeno cultural que reflete e influencia a sociedade. Através de suas letras e melodias, a MPB aborda questões como identidade nacional, amores, desilusões, esperanças e, principalmente, a realidade política e social do país.

Seja nas metáforas da Ditadura, nas celebrações da cultura popular ou nas reflexões sobre o cotidiano, a MPB se mantém como um espaço privilegiado de diálogo e de construção de sentido. Ela atua como um registro histórico e artístico, perpetuando a memória e a cultura brasileira.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2018)

A MPB, em sua essência, representa um movimento que transcende o simples aspecto musical. No contexto da Ditadura Militar brasileira, muitas canções foram compostas com letras ambíguas e carregadas de metáforas. Esse recurso tinha como principal objetivo:

  • a) Dificultar a compreensão pelo público geral, mantendo a música como um produto de elite.
  • b) Celebrar o regime militar por meio de mensagens subliminares de apoio aos governantes.
  • c) Desafiar a censura, transmitindo mensagens de protesto e resistência sem ser diretamente vetada.
  • d) Criar um novo estilo musical completamente desvinculado das tradições brasileiras.
  • e) Focar exclusivamente em temas românticos para desviar a atenção das questões políticas.

Resposta: Alternativa c: As letras ambíguas eram uma estratégia comum para contornar a censura e expressar críticas ao regime de forma velada.

2. (ENEM PPL-2017)

O Tropicalismo, movimento de grande impacto na MPB no final dos anos 1960, caracterizou-se principalmente pela:

  • a) defesa de uma música puramente nacional, livre de qualquer influência estrangeira.
  • b) valorização exclusiva do samba e de outros ritmos tradicionais brasileiros.
  • c) incorporação de elementos da cultura de massa, da pop art e de ritmos estrangeiros, como o rock, à música brasileira.
  • d) rejeição total ao uso de guitarras elétricas, consideradas símbolos de alienação cultural.
  • e) manutenção de um discurso estritamente político e engajado, sem qualquer espaço para a experimentação sonora.

Resposta: Alternativa c: O Tropicalismo foi um movimento de vanguarda que buscou a antropofagia cultural, absorvendo e transformando influências diversas, incluindo elementos da cultura pop e do rock.

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