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Ensino Médio

Modernismo: primeira fase – Descubra os segredos desse movimento

Modernismo: primeira fase explora suas características e autores principais, destacando sua influência na literatura brasileira.

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Modernismo: primeira fase

A primeira fase do Modernismo brasileiro, também conhecida como “Fase Heroica” ou “Fase de Destruição”, é o período inicial do movimento literário no Brasil, marcado por uma forte ruptura com o tradicionalismo.

Esse momento se estende de 1922, com a Semana de Arte Moderna, até 1930, e é caracterizado por um espírito de questionamento, provocação e busca por uma identidade cultural genuinamente brasileira.

Estudar essa fase é fundamental para compreender as raízes da literatura moderna no país e os ideais que moldaram gerações de artistas.

Características

As principais características da primeira fase do Modernismo são:

  • Ruptura com o passado: Negação das formas e temáticas do Parnasianismo, Simbolismo e Academismo.
  • Nacionalismo crítico e ufanista: Valorização da cultura brasileira, do cotidiano e da língua falada, por vezes com tom de exaltação, por vezes com ironia.
  • Liberdade formal: Abandono da métrica, rimas e estruturas fixas, com uso do verso livre e branco.
  • Ironia, sarcasmo e irreverência: Elementos frequentemente usados para criticar a sociedade e as tradições.
  • Linguagem coloquial e humor: Aproximação da linguagem literária da fala popular, com uso de regionalismos e neologismos.
  • Antiacademismo: Oposição às normas gramaticais rígidas e aos modelos estéticos consagrados.
  • Busca por uma identidade brasileira: Reflexão sobre o que é ser brasileiro, valorizando o primitivo e o popular.

Manifestos e Grupos

A primeira fase do Modernismo foi rica em manifestos e na formação de grupos, que expressavam diferentes visões sobre o movimento.

  • Manifesto Pau-Brasil (1924): Escrito por Oswald de Andrade, defendia uma poesia ingênua, primitiva, “de exportação”, valorizando a linguagem e a cultura brasileiras.
  • Manifesto Antropófago (1928): Também de Oswald de Andrade, propunha a “deglutição” crítica da cultura estrangeira para a criação de algo original e autenticamente nacional, sem imitação.
  • Movimento Verde-Amarelo / Escola da Anta: Liderado por Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado, defendia um nacionalismo ufanista e mais conservador, rejeitando influências europeias e cultuando o índio como símbolo nacional.

Principais Autores e Obras

A primeira fase do Modernismo contou com figuras que revolucionaram a literatura brasileira, imprimindo suas marcas na poesia e na prosa.

Mário de Andrade

Considerado um dos pais do Modernismo, Mário de Andrade foi um intelectual multifacetado (poeta, romancista, musicólogo, crítico). Sua obra é marcada pela experimentação linguística e pela busca da identidade brasileira.

Obras Notáveis:

  • Pauliceia Desvairada (1922): Poesia que expressa a efervescência de São Paulo, com verso livre e linguagem coloquial.
  • Macunaíma (1928): Romance que narra as aventuras de um “herói sem nenhum caráter”, misturando mitos indígenas, lendas populares e a realidade brasileira, explorando a fala e a cultura nacional.

Oswald de Andrade

Outra figura central do movimento, Oswald de Andrade foi o autor de manifestos importantes e um grande provocador, defensor da “poesia para exportação” e da antropofagia cultural.

Obras Notáveis:

  • Memórias Sentimentais de João Miramar (1924): Romance fragmentado, com linguagem inovadora e crítica social.
  • Serafim Ponte Grande (1933): Prosa experimental que satiriza a burguesia e os costumes da época.
  • Pau-Brasil (1925): Poesia que celebra o cotidiano brasileiro, a paisagem e a fala popular.

Manuel Bandeira

Com uma poesia mais intimista e menos combativa, Manuel Bandeira, embora presente na Semana de 22, consolidou sua voz lírica com temas como a morte, o cotidiano e a infância, em linguagem simples e coloquial.

Obras Notáveis:

  • Libertinagem (1930): Coletânea de poemas que traz a linguagem coloquial, o verso livre e temas do cotidiano, como o famoso “Vou-me embora pra Pasárgada”.

Exemplo de Poesia Antropofágica

Para compreender melhor o espírito antropofágico e a liberdade formal, veja um trecho do poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira, que embora não seja diretamente um manifesto antropofágico, reflete a liberdade e o desejo de reinvenção presentes na fase:

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Este fragmento demonstra o desejo de escape, a liberdade de criação de um mundo ideal e a simplicidade da linguagem, características da busca por novos caminhos expressivos.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2021)

O Modernismo brasileiro, em sua primeira fase, representou um marco na literatura e na cultura do país. Uma das características mais marcantes desse período foi a busca por uma identidade nacional, muitas vezes expressa através da:

  1. a) valorização da métrica e da rima tradicionais para celebrar a história colonial.
  2. b) imitação dos modelos europeus de arte e literatura em sua totalidade.
  3. c) adoção da linguagem coloquial, do verso livre e da exaltação do “brasileiro” em suas diversas facetas.
  4. d) idealização do passado indígena, ignorando completamente as influências africanas.
  5. e) permanência das temáticas românticas e parnasianas, adaptadas ao contexto urbano.

Resposta: Alternativa c: A primeira fase modernista buscou uma ruptura formal e temática, valorizando a linguagem e a cultura brasileira, muitas vezes de forma irreverente e crítica.

2. (FUVEST-2020)

Leia o trecho a seguir, de Oswald de Andrade:

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência de uma cultura antropofágica que transforma o tabu em totem.

Esse fragmento, extraído do Manifesto Antropófago, de 1928, propõe:

  1. a) A rejeição total de qualquer influência cultural estrangeira, defendendo um isolamento artístico.
  2. b) A assimilação crítica da cultura estrangeira para recriá-la e dar origem a uma produção genuinamente nacional.
  3. c) A exaltação do passado colonial brasileiro como a única fonte de inspiração para a arte.
  4. d) A defesa de um retorno aos padrões estéticos do Parnasianismo, considerados mais elevados.
  5. e) A valorização exclusiva das manifestações artísticas populares, sem qualquer tipo de elaboração intelectual.

Resposta: Alternativa b: O Manifesto Antropófago propunha a “deglutição” ou assimilação crítica da cultura estrangeira, transformando-a em algo novo e original, tipicamente brasileiro, sem simplesmente copiá-la.

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