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Ensino Médio

Figuras de som: análise prática para melhorar sua interpretação

As figuras de som são recursos estilísticos que utilizam a sonoridade das palavras para intensificar a expressividade e o ritmo de um texto, poema ou canção.

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Figuras de som: análise prática

As figuras de som são recursos estilísticos que utilizam a sonoridade das palavras para intensificar a expressividade e o ritmo de um texto, poema ou canção. Elas agem diretamente na audição e percepção do leitor ou ouvinte, criando efeitos estéticos e semânticos.

Essas figuras são amplamente empregadas na literatura, música e publicidade, contribuindo para a construção de sentidos e para a memorização. Conhecer as figuras de som é fundamental para a análise textual em provas de vestibulares e no ENEM, onde a interpretação de recursos estilísticos é frequentemente exigida.

Dominar a identificação e a função das figuras de som permite uma compreensão mais profunda da intenção do autor e do impacto do texto.

Características

As principais características das figuras de som são:

  • Sonoridade: baseiam-se na repetição ou imitação de sons.
  • Expressividade: intensificam o sentido das palavras e frases.
  • Ritmo: contribuem para a musicalidade e fluidez do texto.
  • Memorização: tornam o texto mais marcante e fácil de lembrar.
  • Recurso estilístico: são utilizadas intencionalmente para criar um efeito.

Tipos de figuras de som

Os tipos de figuras de som são: Aliteração, Assonância, Onomatopeia e Paronomásia.

Aliteração

A aliteração consiste na repetição de sons consonantais em uma frase ou verso, com o objetivo de criar um efeito sonoro específico, ritmo ou para realçar uma ideia.

Exemplo:

“O rato roeu a roupa do rei de Roma.”
(Trava-língua popular)

Neste exemplo, a repetição do som /r/ cria um efeito de rapidez e sugere o movimento do rato.

Assonância

A assonância é a repetição de sons vocálicos idênticos ou semelhantes em sílabas tônicas de palavras próximas, para gerar musicalidade ou enfatizar determinados vocábulos.

Exemplo:

“Ó ar! Abertos os braços!
Ó vento, ó certo certo vento!”
(Cecília Meireles, “Canto do Regresso”)

Aqui, a repetição das vogais /a/ e /e/ confere musicalidade e um tom melancólico ou contemplativo ao verso.

Onomatopeia

A onomatopeia é a figura de som que consiste na imitação de sons e ruídos com palavras, ou seja, a representação escrita de sons naturais ou artificiais.

Exemplo:

“Naquela noite, o silêncio foi quebrado apenas pelo tic-tac do relógio e, de repente, um alto boom vindo da rua.”
(Trecho adaptado)

As palavras “tic-tac” e “boom” imitam o som do relógio e de uma explosão, respectivamente, tornando o texto mais vívido.

Paronomásia

A paronomásia (ou paranomásia) ocorre quando se utilizam palavras parônimas, ou seja, palavras que possuem sonoridade parecida, mas significados distintos, para criar jogos de palavras, humor ou ambiguidade.

Exemplo:

“Comer para viver, e não viver para comer.”
(Ditado popular)

Neste caso, as palavras “viver” e “comer” são usadas em uma construção invertida que se assemelha e causa um efeito de contraste e sabedoria popular.

Exemplo de figuras de som em texto

Para compreender melhor a aplicação das figuras de som, veja o exemplo abaixo:

Exemplo:

“Naquela manhã fria, o vento uivava, forte e feio, entre os galhos secos. O canto claro do galo ecoava, cri-cri, de longe. A chuva fina, fria, caindo sem parar, fazia um zum-zum monótono no telhado de zinco. Era um dia cinzento, silencioso, quase sem som, exceto pelo pingue-pongue das gotas mais pesadas.”
(Texto fictício)

No exemplo acima, podemos identificar:

  • Aliteração: “chuva fina, fria, caindo” (repetição do /f/) e “cinzento, silencioso, quase sem som” (repetição do /s/).
  • Assonância: “vento uivava”, “forte e feio” (repetição de vogais abertas como /a/ e /e/).
  • Onomatopeia: “uivava” (som do vento), “cri-cri” (som do galo), “zum-zum” (som da chuva) e “pingue-pongue” (som das gotas).
  • Paronomásia: não há um exemplo claro de paronomásia neste trecho, que foca mais nos sons imitativos e nas repetições.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2022)

“Balaio, meu bem, balaio
Sinhá, não se pode balaiar
Balaio, meu bem, balaio
É que não sei balaiar

O que é que tem no balaio?
Tem farinha e feijão
Tem rapadura e banana
Tem milho e tem pão”

Nos versos da canção popular, a repetição de determinados sons cria um efeito estilístico que remete à musicalidade e ao tema. A figura de linguagem predominante é a:

  • a) Onomatopeia, pela imitação de sons de objetos.
  • b) Assonância, pela repetição de vogais abertas.
  • c) Aliteração, pela repetição de consoantes fricativas.
  • d) Paronomásia, pelo jogo de palavras com sonoridade similar.
  • e) Pleonasmo, pela redundância de ideias.

Resposta: Alternativa b: Há uma forte repetição de vogais abertas, especialmente /a/, que contribui para a musicalidade e o ritmo da canção, caracterizando a assonância.

2. (UNESP-2021)

Analise a frase: “O chiado da chaleira chamava a atenção, enquanto a coruja coaxava na escuridão da noite.”

As palavras sublinhadas na frase representam, respectivamente, exemplos de:

  • a) Aliteração e assonância.
  • b) Onomatopeia e paronomásia.
  • c) Assonância e aliteração.
  • d) Onomatopeia e onomatopeia.
  • e) Paronomásia e assonância.

Resposta: Alternativa d: “Chiado” e “coaxava” são imitações de sons, o que caracteriza a onomatopeia em ambos os casos. “Chiado” imita o som da chaleira, e “coaxava” imita o som da coruja.

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