Escolas Literárias no ENEM
As escolas literárias são movimentos artísticos e intelectuais que surgem em determinado período histórico, compartilhando características estéticas, temáticas e ideológicas. Elas representam as diferentes formas como a literatura se manifestou ao longo do tempo, refletindo o contexto social, político e cultural de cada época.
Estudar as escolas literárias é fundamental para o ENEM, pois permite não apenas a compreensão de textos literários, mas também a habilidade de contextualizá-los e interpretá-los de forma mais profunda. As questões de Literatura no exame frequentemente exigem que o estudante identifique a qual movimento uma obra pertence, relacionando suas características com o período em que foi produzida.
Dominar esse conteúdo é uma das chaves para analisar e comparar obras, autores e tendências artísticas, garantindo uma melhor performance na prova de Linguagens e suas Tecnologias. A capacidade de reconhecer as particularidades de cada escola facilita a leitura crítica e a resolução de questões sobre poesia, prosa e diferentes manifestações artísticas.
Características Gerais das Escolas Literárias
Cada escola literária possui um conjunto de características que a define. No entanto, é possível identificar alguns aspectos gerais que se repetem ou se contrapõem entre os movimentos:
- Contexto Histórico-Cultural: Cada escola é um reflexo de sua época, influenciada por eventos sociais, políticos, econômicos e filosóficos.
- Estilo: Refere-se à forma como os textos são construídos (linguagem, estrutura da frase, figuras de linguagem).
- Temática: Aborda os assuntos predominantemente explorados pelos autores (amor, morte, sociedade, religião, natureza, etc.).
- Ideal Estético: Conjunto de valores e princípios que guiam a criação artística do período.
- Autores e Obras Principais: Escritores e títulos que melhor representam o movimento e suas ideias.
Principais Escolas Literárias Cobradas no ENEM
O ENEM costuma abordar as escolas literárias brasileiras e, ocasionalmente, alguns movimentos europeus que influenciaram diretamente a produção nacional. É crucial entender o que cada uma delas representa.
Barroco (Século XVII)
O Barroco é um estilo que se manifestou na literatura brasileira a partir do século XVII, marcado pelo conflito entre o terreno e o divino, a fé e a razão.
Suas principais características são:
- Dualismo: Presença constante de antíteses e paradoxos (oposição de ideias).
- Cultismo (Gongorismo): Preocupação com a forma, uso de linguagem rebuscada, jogos de palavras, metáforas e hipérboles.
- Conceptismo (Quevedismo): Valorização da ideia, do jogo de conceitos, do raciocínio lógico e complexo para persuadir.
- Carpe Diem: Consciência da brevidade da vida e o aproveitamento do momento presente.
- Pessimismo e angústia: Reflexão sobre a efemeridade da vida e a inevitabilidade da morte.
Principais autores e obras no Brasil:
- Gregório de Matos: Poesia lírica, satírica e religiosa. Conhecido como “Boca do Inferno”.
- Padre Antônio Vieira: Sermões, com destaque para a organização lógica e argumentos conceptistas.
Arcadismo (Século XVIII)
O Arcadismo (ou Neoclassicismo) surge como uma reação ao rebuscamento barroco, trazendo uma literatura mais simples e racional, influenciada pelo Iluminismo.
As características da escola são:
- Racionalismo: Valorização da razão sobre a emoção, busca pela clareza e objetividade.
- Bucolismo: Idealização da vida campestre e dos pastores, com a natureza como refúgio.
- Fugere Urbem: Desejo de “fugir da cidade” e de seus vícios, buscando a simplicidade rural.
- Locus Amoenus: Criação de um “lugar ameno”, um cenário idealizado de paz e tranquilidade.
- Aurea Mediocritas: Busca pela “mediocridade áurea”, a vida equilibrada e sem excessos.
- Linguagem simples e objetiva: Clareza e naturalidade, em contraste com o Barroco.
- Pseudônimos pastoris: Autores adotavam nomes de pastores gregos ou latinos, como Cláudio Manuel da Costa (Glauco Satúrnio) e Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu).
Principais autores e obras no Brasil:
- Cláudio Manuel da Costa: Poesia lírica e épica (Vila Rica).
- Tomás Antônio Gonzaga: Poesia lírica na obra Marília de Dirceu, a mais representativa do período.
Romantismo (Século XIX)
O Romantismo é um vasto movimento que revolucionou a arte e a literatura no século XIX, exaltando a emoção, a individualidade e a liberdade criativa. No Brasil, ele se divide em três gerações.
Primeira Geração (Nacionalista ou Indianista)
- Exaltação da natureza brasileira: A paisagem nacional como símbolo da pátria.
- Indianismo: O índio como herói nacional, representante da pureza e da bravura.
- Ufanismo: Exagero no orgulho pela nação e suas riquezas.
- Nacionalismo: Busca por uma identidade brasileira na literatura.
Principais autores: José de Alencar (O Guarani, Iracema), Gonçalves Dias (Canção do Exílio).
Segunda Geração (Ultrarromântica ou Mal do Século)
- Pessimismo e tédio: Visão depressiva da vida.
- Fuga da realidade: Através do sonho, da morte, da loucura.
- Mal do século: Idealização da morte como libertação.
- Egocentrismo: Culto ao “eu”, à subjetividade.
- Sarcasmo e ironia: Expressão da frustração.
Principais autores: Álvares de Azevedo (Lira dos Vinte Anos, Noite na Taverna), Casimiro de Abreu (Meus Oito Anos).
Terceira Geração (Condoreira ou Social)
- Poesia social e engajada: Denúncia das injustiças sociais, especialmente a escravidão.
- Liberdade e republicanismo: Ideais de abolição e fim do império.
- Eloquência e grandiosidade: Linguagem grandiosa, com figuras como o condor (símbolo de liberdade).
- Influença de Victor Hugo: Luta por causas sociais e humanitárias.
Principais autores: Castro Alves (Navio Negreiro, Espumas Flutuantes).
Realismo e Naturalismo (Fim do Século XIX)
O Realismo e o Naturalismo surgem como reação ao Romantismo, buscando retratar a realidade de forma objetiva, com foco na crítica social e na análise psicológica (Realismo) ou biológica (Naturalismo).
Realismo
- Objetividade e Impessoalidade: O autor deve ser um “observador” da realidade, sem interferir com suas emoções.
- Crítica social: Abordagem de problemas sociais, como a hipocrisia burguesa e a corrupção.
- Análise psicológica: Profundidade na construção de personagens, explorando suas motivações internas.
- Linguagem direta e coloquial: Abandono do rebuscamento.
- Temas do cotidiano: Casamento, adultério, injustiças sociais.
Principais autores e obras no Brasil:
- Machado de Assis: Considerado o maior nome do Realismo brasileiro. Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba. Famoso pela ironia e pelo ceticismo.
- Raul Pompéia: O Ateneu.
Naturalismo
- Determinismo: Crença de que o homem é produto do meio, da raça e do momento histórico.
- Cientificismo: Aplicação de métodos científicos à literatura, observando o comportamento humano como se fosse um experimento.
- Zoomorfismo: Comparação de personagens a animais, explorando seus instintos e comportamentos mais primitivos.
- Temas patológicos e socialmente marginalizados: Pobreza, miséria, doenças, vícios.
- Linguagem mais crua e detalhada: Descrição minuciosa dos aspectos mais repugnantes da realidade.
Principais autores e obras no Brasil:
- Aluísio Azevedo: O Cortiço, Casa de Pensão.
Parnasianismo (Fim do Século XIX)
Contemporâneo do Realismo, o Parnasianismo é um movimento poético que busca a “arte pela arte”, valorizando a perfeição formal e a objetividade.
Suas características incluem:
- “Arte pela arte”: A poesia deve ser bela em si mesma, sem preocupações morais ou sociais.
- Perfeição formal: Rigor com a rima, métrica e vocabulário. Busca incessante pela forma perfeita.
- Objetividade e impessoalidade: O poeta não deve expressar seus sentimentos de forma explícita.
- Descritivismo: Detalhes minuciosos na descrição de objetos, cenários e paisagens.
- Temas clássicos e mitológicos: Influência dos temas da antiguidade clássica.
- Preciosismo vocabular: Uso de palavras raras e rebuscadas.
Principais autores e obras no Brasil:
- Olavo Bilac: O “Príncipe dos Poetas” (Via Láctea, Profissão de Fé).
- Alberto de Oliveira: Composições descritivas.
- Raimundo Correia: Poesias de tom melancólico e descritivo.
Simbolismo (Fim do Século XIX / Início do Século XX)
O Simbolismo surge como contraponto ao materialismo e ao racionalismo do Realismo/Naturalismo e à objetividade do Parnasianismo, valorizando a sugestão, a musicalidade e o misticismo.
As particularidades do movimento são:
- Subjetividade e misticismo: Exploração do inconsciente, do sonho e do universo espiritual.
- Sugestão e indefinição: Em vez de descrever, o poeta sugere ideias e sensações (em oposição ao Parnasianismo).
- Musicalidade: Uso de aliterações, assonâncias e ritmos para criar efeitos sonoros.
- Símbolos: Utilização de símbolos que remetem a ideias abstratas ou estados d’alma.
- Linguagem vaga e imprecisa: Vocabulário rico em sinestesias e associações.
- Temas como morte, dor, religião e mistério.
Principais autores e obras no Brasil:
- Cruz e Sousa: Broquéis, Faróis. Conhecido como o “Cisne Negro” pelo dramatismo e intensidade.
- Alphonsus de Guimaraens: Poesia de tom religioso, místico e melancólico, marcada pelo luto (A Balada das Três Flôres, Dona Mística).
Pré-Modernismo (Início do Século XX)
O Pré-Modernismo não é uma escola literária no sentido tradicional, mas um período de transição que antecede o Modernismo, marcado pelo ecletismo e pela denúncia da realidade brasileira.
Suas principais características são:
- Ruptura com o Parnasianismo e Simbolismo: Busca por uma literatura mais brasileira e preocupada com a realidade social.
- Ecletismo: Coexistência de tendências estéticas do século XIX (parnasianas, simbolistas, realistas) com as inovações que viriam.
- Retrato do Brasil profundo: Denúncia da realidade social, política e econômica do país (miséria, seca, desigualdades).
- Marginais da sociedade: Foco em personagens esquecidos ou ignorados pela literatura oficial.
- Linguagem mais simples e próxima do coloquial: Sem o formalismo parnasiano.
Principais autores e obras no Brasil:
- Euclides da Cunha: Os Sertões (documenta a Guerra de Canudos).
- Lima Barreto: Triste Fim de Policarpo Quaresma (crítica ao nacionalismo ingênuo e à burocracia).
- Monteiro Lobato: Urupês (cria o personagem Jeca Tatu, símbolo do caipira brasileiro abandonado).
- Augusto dos Anjos: Eu (poesia entre o Simbolismo e o Pré-Modernismo, com temáticas ligadas à morte, decomposição e fisicalidade extrema).
Modernismo (Século XX)
O Modernismo é o mais importante e influente movimento literário brasileiro do século XX, iniciando-se com a Semana de Arte Moderna de 1922. Ele também se divide em fases.
Primeira Geração (Fase Heroica ou de Destruição, 1922-1930)
- Ruptura total com o passado: Rejeição radical das tradições estéticas e literárias anteriores.
- Nacionalismo crítico e construtivo: Busca por uma identidade brasileira autêntica, sem ufanismo.
- Linguagem coloquial e informal: Uso da oralidade, do humor e da ironia.
- Liberdade formal: Verso livre, poemas sem rima, experimentação.
- Antiacademismo: Oposição às normas e instituições tradicionais.
- Exaltação do cotidiano urbano: Foco nas cidades e na vida moderna.
- Sincretismo cultural: Valorização de todas as influências que formam a cultura brasileira.
Principais autores e obras no Brasil:
- Mário de Andrade: Macunaíma, Pauliceia Desvairada.
- Oswald de Andrade: Memórias Sentimentais de João Miramar, Manifesto Antropófago.
- Manuel Bandeira: Libertinagem, Estrela da Manhã.
- Alcântara Machado: Brás, Bexiga e Barra Funda.
Segunda Geração (Geração de 30 ou de Consolidação, 1930-1945)
- Regionalismo e aprofundamento social: Foco nas questões sociais do Brasil, com destaque para o Nordeste.
- Prosa mais densa e psicológica: Análise de personagens e suas complexidades.
- Romance de 30: Representação da seca, da miséria e da luta pela sobrevivência.
- Sentimentalismo: Reaparecimento de temas sentimentais, porém com maior profundidade.
- Poesia de teor social, religioso e existencial: Carlos Drummond de Andrade, Cecilia Meireles, Vinicius de Moraes.
Principais autores e obras no Brasil (Prosa):
- Graciliano Ramos: Vidas Secas, São Bernardo, Angústia.
- Rachel de Queiroz: O Quinze.
- Jorge Amado: Capitães da Areia, Gabriela, Cravo e Canela.
- José Lins do Rego: Menino de Engenho, ciclo da cana-de-açúcar.
Principais autores e obras no Brasil (Poesia):
- Carlos Drummond de Andrade: Alguma Poesia, Sentimento do Mundo.
- Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência, Viagem.
- Vinicius de Moraes: Poemas, Sonetos e Baladas, Orfeu da Conceição.
- Murilo Mendes: Poesia de influências surrealistas.
Terceira Geração (Geração de 45 ou Pós-Modernismo, 1945-1960)
- Retomada da forma: Preocupação com o rigor formal, o que por vezes gerou críticas.
- Regionalismo universal: Abordagem de temas regionais, mas com profundidade para alcançar questões universais.
- Metalinguagem na poesia: Reflexão sobre o fazer poético.
- Prosa intimista e experimental: Busca por novas narrativas e aprofundamento psicológico.
Principais autores e obras no Brasil (Prosa):
- João Guimarães Rosa: Grande Sertão: Veredas, Primeiras Estórias.
- Clarice Lispector: Laços de Família, A Hora da Estrela, Perto do Coração Selvagem.
Principais autores e obras no Brasil (Poesia):
- João Cabral de Melo Neto: Morte e Vida Severina, A Educação pela Pedra.
- Ferreira Gullar: Da fase neoconcretista ao popular.
Dicas para Analisar Textos no ENEM
Para identificar as escolas literárias e interpretar os textos no ENEM, é essencial seguir algumas dicas:
- Contextualize a Obra: Procure pelo ano de publicação ou nascimento do autor. Isso já pode dar uma pista sobre a escola.
- Observe a Linguagem: A linguagem é rebuscada (Barroco, Parnasianismo), simples (Arcadismo, Modernismo) ou coloquial (Modernismo)?
- Analise a Temática: Quais são os temas abordados? Amor idealizado (Arcadismo)? Conflito religioso (Barroco)? Crise existencial (Romantismo)? Crítica social (Realismo, Modernismo)?
- Identifique o Estilo: Há objetividade (Realismo) ou subjetividade (Romantismo, Simbolismo)? Perfeição formal (Parnasianismo) ou liberdade (Modernismo)?
- Atenção aos detalhes: Personagens são idealizados (Romantismo) ou complexos (Realismo)? O ambiente é rural idealizado (Arcadismo) ou a miséria do sertão (Modernismo)?
- Reconheça as Figuras de Linguagem: Antítese, paradoxo (Barroco), metáfora, comparações, aliterações (Simbolismo), ironia (Realismo).
Exercícios com Gabarito
1. (ENEM-2021)
TEXTO I
Não sinto remorsos. Ardia como um pira o meu amor por Capitulação, e não sabia que era falso ou ilusório. Foi uma grande chame, foi um intenso calor, mas extinguiu-se depressa. Resta a cinza, o pó, a lembrança desbotada. Não há nada mais. E em todo caso, eu não fui um assassino; fui um desses homens que amam uma mulher pela imagem que fazem dela.
ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
TEXTO II
(…)
E a flor, desfolhada e bela,
Foi por meu amor vencida
Que de um suspiro e de um beijo
Entregou-se à minha vida.
E joguei-a e pisei-a
Cheio de ódio e de dor,
Como um louco a desfolhei!
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos Vinte Anos. Rio de Janeiro: Agir, 2007.
Ao comparar os fragmentos de Dom Casmurro e Lira dos Vinte Anos, percebem-se distintas abordagens sobre o sentimento amoroso, características de diferentes escolas literárias. Embora ambos tratem do desencanto, a perspectiva do narrador-personagem de Machado de Assis, em relação à de Álvares de Azevedo, revela:
- a) um pessimismo exagerado, reflexo do ultrarromantismo vigente.
- b) uma idealização da amada, típica do romantismo indianista.
- c) uma visão cética e irônica do amor, traço marcante do realismo.
- d) um sentimentalismo exacerbado, próprio da poesia condoreira.
- e) uma negação do sofrimento amoroso, característica do parnasianismo.
Resposta: Alternativa c: O texto de Machado de Assis, autor realista, apresenta uma visão cética e irônica sobre o amor, que é visto como uma ilusão (“imagem que fazem dela”), extinguindo-se rapidamente. O trecho de Álvares de Azevedo, ultrarromântico, apesar do desencanto, ainda carrega um tom mais passional e dramático.
2. (ENEM-2018)
Oh! Minha amada! que a alma me consome,
Minha bela… Virgem loura dos castanhos
Cabelos, que soltos como panos finos,
Da testa roçam as azuis veias.
Tua voz — melodioso sussurro,
Teu olhar — um lago azul de mistérios,
Teu colo — um lenço de linho fresco…
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos Vinte Anos. São Paulo: Scipione, 1996.
O fragmento da obra Lira dos Vinte Anos é representativo da segunda geração romântica no Brasil, conhecida como Ultrarromantismo ou “Mal do Século”. A característica que justifica essa classificação é:
- a) a exaltação da natureza brasileira como símbolo da pátria.
- b) a presença de traços de melancolia e idealização amorosa.
- c) a denúncia da escravidão e das injustiças sociais.
- d) o uso de pseudônimos e a valorização da vida bucólica.
- e) a objetividade e o rigor formal na descrição da amada.
Resposta: Alternativa b: No Ultrarromantismo, há uma forte idealização da figura feminina, geralmente inatingível, associada a elementos de melancolia, sonho e sofrimento amoroso. O poema descreve a amada com traços idealizados (“Virgem loura”, “lago azul de mistérios”) com um tom que, mesmo que não seja explicitamente melancólico neste fragmento, se encaixa no perfil da geração.