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Ensino Médio

Concordância e clareza textual

A concordância é a harmonia entre as palavras de uma frase, garantindo que elas “combinem” entre si em gênero, número e pessoa.

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Concordância e clareza textual

A concordância é a harmonia entre as palavras de uma frase, garantindo que elas “combinem” entre si em gênero, número e pessoa. Essa adequação é essencial para a clareza textual, que se refere à facilidade com que o leitor compreende a mensagem transmitida.

Dominar a concordância é fundamental para produzir textos coesos e coerentes, evitando ambiguidades e mal-entendidos. Uma escrita clara e precisa é valorizada em todas as esferas, desde a comunicação cotidiana até a redação de provas como o ENEM e outros vestibulares.

A atenção à concordância, portanto, não é apenas uma questão gramatical, mas uma ferramenta poderosa para a efetividade da comunicação. Ela permite que as ideias sejam apresentadas de forma lógica e compreensível, impactando diretamente a qualidade da argumentação e a persuasão.

A Importância da Clareza Textual

A clareza textual é a qualidade de um texto que permite a seu leitor compreender a mensagem de forma direta, sem ambiguidades ou interpretações equivocadas. Ela é crucial em qualquer tipo de comunicação, mas especialmente em contextos formais e avaliativos.

Um texto claro demonstra domínio da língua e respeito pelo le leitor, que não precisará se esforçar para decifrar a mensagem. Em provas como o ENEM, a ausência de clareza pode comprometer a nota, uma vez que a capacidade de expressar ideias de modo compreensível é um critério avaliado.

Tipos de Concordância

Existem dois tipos principais de concordância na língua portuguesa, que trabalham em conjunto para garantir a clareza e a correção gramatical:

Concordância Nominal

A concordância nominal ocorre entre o substantivo (ou pronome substantivo) e os termos que o acompanham (adjetivos, artigos, pronomes adjetivos, numerais). Esses termos devem concordar em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural) com o substantivo a que se referem.

Exemplos:

  • As casas grandes foram vendidas. (Artigo, substantivo, adjetivo e particípio concordam em feminino plural.)
  • Os primeiros livros interessantes chegaram. (Artigo, numeral, substantivo e adjetivo concordam em masculino plural.)

Casos Especiais:

  • Adjetivo após vários substantivos: O adjetivo pode concordar com o substantivo mais próximo ou ir para o plural masculino se os substantivos forem de gêneros diferentes.
    • Comprei camisa e calça nova. (Concorda com o mais próximo)
    • Comprei camisa e calça novas. (Concorda com os dois)
    • Comprei camisa e casaco novos. (Plural masculino)
  • Expressões “é bom”, “é necessário”, “é proibido”: Permanecem invariáveis se o substantivo não for acompanhado de artigo ou determinante. Caso contrário, há concordância.
    • É necessário paciência.
    • A paciência é necessária.

Concordância Verbal

A concordância verbal estabelece a relação de número (singular/plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª) entre o verbo e o seu sujeito. O verbo deve se flexionar para concordar com o núcleo do sujeito.

Exemplos:

  • O aluno estudou muito. (Sujeito “aluno” (3ª pessoa do singular) concorda com o verbo “estudou”.)
  • Os alunos estudaram muito. (Sujeito “alunos” (3ª pessoa do plural) concorda com o verbo “estudaram”.)

Casos Especiais:

  • Sujeito composto anteposto ao verbo: O verbo vai para o plural.

    Pedro e Maria estudaram para a prova.

  • Sujeito composto posposto ao verbo: O verbo pode concordar com o mais próximo ou ir para o plural.
    • Estudou Pedro e Maria. (Concorda com o mais próximo)
    • Estudaram Pedro e Maria. (Concorda com os dois)
  • Verbos “haver” e “fazer” impessoais: O verbo “haver” no sentido de “existir” e o verbo “fazer” indicando tempo decorrido ou fenômenos da natureza permanecem na 3ª pessoa do singular.
    • Há muitos alunos na sala. (No sentido de “existem”)
    • Faz dois anos que não o vejo. (Tempo decorrido)
  • Sujeito coletivo: O verbo concorda no singular com o coletivo. Se o coletivo vier especificado por um adjunto adnominal no plural, o verbo pode ir para o singular ou plural.
    • A multidão aplaudiu.
    • A multidão de torcedores aplaudiu. ou A multidão de torcedores aplaudiram.

Relação entre Concordância e Clareza Textual

A concordância é um pilar da clareza textual. Quando as regras de concordância são desrespeitadas, o texto pode se tornar ambíguo, confuso ou até mesmo ininteligível.

Exemplos de Falta de Clareza por Erro de Concordância:

  • Os problemas, a solução foi apresentada. (Incorreto – o verbo deveria concordar com “solução”, mas a frase inteira soa estranha e confusa. Seria mais claro: A solução para os problemas foi apresentada.)
  • Havia muitas pessoa esperando. (Incorreto: Havia muitas pessoas esperando. O erro nominal de “pessoa” prejudica a fluidez.)
  • Fazem muitos anos que ele mora aqui. (Incorreto: Faz muitos anos que ele mora aqui. O erro verbal em “fazem” torna a leitura truncada.)

A atenção à concordância permite que as ideias sejam conectadas de maneira lógica e que as informações se relacionem corretamente, evitando que o leitor precise reler frases para compreendê-las. Isso é vital para a fluidez da leitura e para a eficácia da comunicação.

Como Aprimorar a Concordância para Maior Clareza

Para garantir a concordância e, consequentemente, a clareza textual, algumas práticas são essenciais:

  • Identificar o núcleo do sujeito: Para a concordância verbal, sempre localize o núcleo do sujeito antes de flexionar o verbo.
  • Identificar o substantivo referente: Para a concordância nominal, saiba qual substantivo o adjetivo, artigo ou numeral está modificando.
  • Revisão cuidadosa: Após escrever, revise o texto especificamente em busca de erros de concordância.
  • Leitura em voz alta: Ler o texto em voz alta pode ajudar a identificar frases que soam estranhas ou confusas, indicando possíveis problemas de concordância.
  • Prática constante: A leitura e a escrita frequentes são as melhores formas de internalizar as regras e tornar a concordância algo intuitivo.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2022)

Analise a frase a seguir:

“Os alunos, as professoras e o coordenador estava reunidos na sala.”

Identifique o erro de concordância verbal e reescreva a frase corretamente.

  • a) O erro está no sujeito “os alunos”. A frase correta seria: “O aluno, as professoras e o coordenador estava reunidos na sala.”
  • b) O erro está no verbo “estava”. A frase correta seria: “Os alunos, as professoras e o coordenador estavam reunidos na sala.”
  • c) O erro está na concordância nominal de “reunidos”. A frase correta seria: “Os alunos, as professoras e o coordenador estava reunida na sala.”
  • d) Não há erro de concordância na frase apresentada.
  • e) O erro está na falta de vírgulas. A frase correta seria: “Os alunos, as professoras, e o coordenador estava reunidos na sala.”

Resposta: Alternativa b: O sujeito é composto e anteposto (“Os alunos, as professoras e o coordenador”), portanto, o verbo deve ir para o plural (“estavam”).

2. (VUNESP-2020)

Assinale a alternativa em que a concordância nominal está correta:

  • a) É preciso bastante atenção para resolver estas questões.
  • b) Segue anexo as cópias dos documentos solicitados.
  • c) As bolsas eram meio grande para ele carregar.
  • d) Houve bastantes críticas àquela decisão.
  • e) Aqueles eram os livros e as apostilas proibido.

Resposta: Alternativa a: “Bastante” atua como adjetivo neste contexto e concorda com “atenção” (“bastante” é invariável quando significa “muito/suficiente”). Nas demais alternativas, os erros são: b) “anexas” em vez de “anexo”; c) “meias” em vez de “meio” (quando adjetivo); d) “bastantes” no plural; e) “proibidas” em vez de “proibido”.

3. (FGV-2019)

Em qual das opções a seguir a concordância verbal foi empregada de forma inadequada?

  • a) Menos de cinco por cento da população participou do evento.
  • b) Havia muitas discussões sobre o tema.
  • c) Faziam vinte anos que ele não visitava a cidade.
  • d) Parte dos manifestantes protestou em frente à prefeitura.
  • e) Os Lusíadas é uma obra épica de Camões.

Resposta: Alternativa c: O verbo “fazer”, indicando tempo decorrido, é impessoal e deve permanecer na 3ª pessoa do singular. O correto seria “Faz vinte anos”.

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