O que são as camadas do Sol?
O Sol não tem uma superfície sólida. Ele é uma esfera de plasma — gás tão quente que parte dos átomos perdeu elétrons — e, para estudar sua estrutura, os cientistas a dividem em duas grandes partes. O interior reúne o núcleo, a zona radiativa e a zona convectiva. A atmosfera reúne a fotosfera, a cromosfera e a coroa.
Essa divisão é um modelo: as camadas não têm paredes rígidas, e as transições entre elas são graduais. Ainda assim, cada região tem processos e temperaturas características, o que ajuda a entender como a energia nasce no centro do Sol e chega ao espaço.
Características gerais do Sol
O Sol é uma estrela de sequência principal do tipo G2V, também chamada de anã amarela. Sua massa é cerca de 333 mil vezes a da Terra, e seu diâmetro, cerca de 109 vezes o terrestre.
A maior parte do Sol é feita de hidrogênio e hélio. Na fotosfera, cerca de 91% dos átomos são de hidrogênio e 9% de hélio; em massa, o hidrogênio também é o elemento mais abundante. Elementos mais pesados aparecem em menor quantidade.
As camadas internas
O interior solar não pode ser visto diretamente. O que sabemos vem de modelos, da helioseismologia (o estudo das vibrações do Sol) e da detecção de neutrinos produzidos na fusão nuclear.
Núcleo
O núcleo é a região central, com cerca de 25% do raio solar. É o local mais quente e denso do Sol: a temperatura chega a cerca de 15 milhões de graus Celsius, a densidade a cerca de 150 g/cm³ e a pressão a aproximadamente 250 bilhões de vezes a pressão atmosférica ao nível do mar.
É no núcleo que ocorre a fusão nuclear: núcleos de hidrogênio se combinam e formam hélio, liberando energia. Nesse processo, cerca de 4,3 milhões de toneladas de massa são convertidas em energia a cada segundo. A energia sai do núcleo em forma de radiação e, depois, é transportada até a superfície.
Zona radiativa
A zona radiativa vai de cerca de 25% a 70% do raio solar. Nela, a energia é transportada principalmente por radiação: os fótons são absorvidos e reemitidos muitas vezes pelas partículas do plasma. Esse caminho é tão acidentado que um fóton pode levar cerca de 1 milhão de anos para atravessar a zona radiativa.
Zona convectiva
A zona convectiva é a camada mais externa do interior, indo de cerca de 70% do raio até a superfície visível. Ali, a energia é transportada por convecção: plasma quente sobe, esfria na superfície e desce de novo, formando células de circulação. Esse movimento aparece na fotosfera como a granulação solar.
Entre a zona radiativa e a convectiva há uma camada fina de transição, a tacoclina, onde o campo magnético do Sol é gerado por um dínamo, segundo o modelo atual. A dinâmica dessa região e da zona convectiva está ligada ao ciclo de atividade solar.
As camadas da atmosfera
As camadas atmosféricas são as regiões mais externas do Sol. A fotosfera pode ser vista diretamente; a cromosfera e a coroa exigem instrumentos ou condições especiais, como um eclipse total.
Fotosfera
A fotosfera é a superfície visível do Sol, a camada de onde sai a maior parte da luz que chega à Terra. É muito fina em comparação com o raio solar e tem temperatura média de cerca de 5.500 °C.
Nela aparecem as manchas solares, regiões mais frias e escuras associadas a concentrações intensas de campo magnético; as fáculas, regiões brilhantes também ligadas ao magnetismo; e os grânulos, células da convecção.
Cromosfera
A cromosfera fica logo acima da fotosfera e tem cerca de 2.500 km de espessura. Sua temperatura aumenta com a altitude: passa de cerca de 6.000 °C, na base, para dezenas de milhares de graus Celsius no topo. É uma camada avermelhada, visível por poucos instantes durante um eclipse solar total, e abriga proeminências e filamentos.
Coroa
A coroa é a camada mais externa e extensa da atmosfera solar. É muito mais quente que a fotosfera: sua temperatura é da ordem de milhões de graus Celsius. Por isso, brilha em raios X e ultravioleta extremo.
A coroa pode ser observada durante eclipses totais, com coronógrafos e por telescópios espaciais que captam esses comprimentos de onda. Dela saem o vento solar e as ejeções de massa coronal (CMEs), que transportam plasma e campo magnético para o espaço.
Interior e atmosfera: uma comparação
| Aspecto | Interior | Atmosfera |
|---|---|---|
| Função | Gerar e transportar energia | Irradiar luz e liberar partículas |
| Camadas | Núcleo, zona radiativa e zona convectiva | Fotosfera, cromosfera e coroa |
| Como ver | De forma indireta: modelos, vibrações solares e neutrinos | Diretamente na fotosfera; em eclipses ou com instrumentos na cromosfera e na coroa |
| Processos | Fusão nuclear, radiação e convecção | Emissão de luz, atividade magnética e vento solar |
Ciclo solar e atividade
A atividade do Sol não é constante. O número de manchas solares, as erupções e as CMEs variam em um ciclo que dura, em média, cerca de 11 anos (11,4 anos no valor de referência da NASA). O máximo solar é o período de maior atividade; o mínimo, de menor.
É importante não confundir dois fenômenos. Uma erupção solar (flare) é uma liberação súbita de radiação eletromagnética, que dura de minutos a horas e viaja na velocidade da luz. Uma ejeção de massa coronal (CME) é uma nuvem de plasma e campo magnético lançada ao espaço; pode viajar a centenas ou milhares de quilômetros por segundo e levar de 15 a 18 horas, ou alguns dias, para chegar à Terra. As duas frequentemente ocorrem juntas, mas não são a mesma coisa.
Esses fenômenos alteram as condições do ambiente espacial e podem afetar satélites, comunicações e redes elétricas. Essas condições e seus efeitos fazem parte do clima espacial.
Perguntas frequentes
O Sol tem uma superfície sólida?
Não. O Sol é feito de plasma. A fotosfera é a camada visível, mas não é uma crosta sólida: é uma região de gás ionizado de onde a luz escapa.
Por que a coroa é mais quente que a fotosfera?
Essa é uma das questões em aberto da física solar. A coroa tem mais de 1 milhão de graus Celsius, enquanto a fotosfera tem cerca de 5.500 °C. Entre as explicações propostas estão o aquecimento por ondas e por microexplosões (nanoflares), mas os detalhes ainda são investigados.
Qual é a diferença entre erupção solar e CME?
A erupção solar é radiação eletromagnética; a CME é plasma com campo magnético. Uma pode acompanhar a outra, mas os dois fenômenos têm durações e formas de propagação diferentes.
Fontes e referências
Consulta em 21/10/2026:
- NASA, Sun Fact Sheet: massa, diâmetro, composição da fotosfera, temperatura e pressão centrais, espessura da cromosfera e ciclo de 11,4 anos.
- NASA/Marshall, The Solar Interior: núcleo, zona radiativa, zona convectiva, tacoclina e tempo de difusão dos fótons.
- NASA/Marshall, The Photosphere: fotosfera, manchas, fáculas e granulação.
- NASA/Marshall, The Chromosphere: temperatura, proeminências e filamentos.
- NASA/Marshall, The Corona: temperatura da coroa e observação em eclipses e em raios X.
- NASA/Marshall, Coronal Heating: hipóteses de aquecimento por ondas e nanoflares.
- NASA, Space Weather: definição de clima espacial como as condições do ambiente espacial impulsionadas pelo Sol e seus impactos.
- NOAA NESDIS, GOES-17 SUVI: coroa com plasma aquecido a milhões de graus e observação em EUV.
- NOAA SWPC, Solar Flares: definição, duração e velocidade da radiação.
- NOAA SWPC, Coronal Mass Ejections: definição, velocidades e tempo de chegada à Terra.
- NOAA SWPC, Solar Wind: fluxo contínuo de plasma e campo magnético, com velocidades típicas.
- NOAA SWPC, Sunspots/Solar Cycle: ciclo de aproximadamente 11 anos, manchas e fáculas.
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