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Ensino Médio

Agentes internos e externos do relevo

Agentes internos e externos do relevo Os agentes internos e externos do relevo são as forças e processos que atuam continuamente na superfície terrestre, moldando suas formas e…

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Agentes internos e externos do relevo

Os agentes internos e externos do relevo são as forças e processos que atuam continuamente na superfície terrestre, moldando suas formas e paisagens ao longo do tempo geológico. Compreender a atuação desses agentes é fundamental para entender a dinâmica da Terra e a distribuição dos diferentes tipos de relevo.

Esses agentes trabalham em conjunto, mas com mecanismos distintos: os agentes internos, também conhecidos como endógenos, têm sua origem no interior do planeta e são responsáveis pela criação de grandes estruturas, enquanto os agentes externos, ou exógenos, atuam na superfície, desgastando e transportando materiais. A interação constante entre essas forças resulta na complexa variedade de formas de relevo que observamos.

O estudo desses processos é crucial para a geografia, pois permite analisar a evolução das paisagens, prever fenômenos naturais e compreender a relação entre o ser humano e o ambiente. Este tema é frequentemente abordado em exames como o ENEM e vestibulares, exigindo uma compreensão clara de cada agente e suas consequências.

Agentes Internos (Endógenos)

Os agentes internos, ou endógenos, são forças que se originam no interior da Terra, impulsionadas pela energia geotérmica. Eles são responsáveis por construir e elevar as grandes estruturas do relevo, como montanhas, planaltos e depressões.

As principais manifestações dos agentes internos são o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos.

Tectonismo

O tectonismo refere-se aos movimentos da crosta terrestre causados pelas placas tectônicas. Essas placas estão em constante movimento sobre o manto, resultando em fenômenos de dobramento e falhamento das rochas.

  • Dobramentos: Ocorrem quando as rochas são submetidas a forças de compressão, dobrando-se sem se romper. Formam as grandes cadeias montanhosas, como os Andes, o Himalaia e as Rochosas.
  • Falhamentos: Acontecem quando as rochas se rompem e se deslocam ao longo de fraturas na crosta. Podem dar origem a blocos elevados (horsts) e blocos rebaixados (grábens), ou a grandes escarpas.

Exemplo:

A formação da Cordilheira dos Andes é um exemplo clássico de dobramento. Resulta da colisão entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, onde a Placa de Nazca mergulha sob a sul-americana (subducção), causando o enrugamento da crosta e a elevação das montanhas.

Vulcanismo

O vulcanismo é o processo de extravasamento de material magmático do interior da Terra para a superfície, através de fissuras ou aberturas na crosta (vulcões). O magma, ao atingir a superfície, é chamado de lava.

  • Erupções efusivas: Caracterizadas pela liberação de lava fluida, que escorre pelas encostas, formando vulcões em escudo (com pouca inclinação).
  • Erupções explosivas: Envolvem a liberação de gases, cinzas e rochas em alta pressão, formando vulcões mais íngremes e perigosos.

Exemplo:

O Monte Fuji, no Japão, é um vulcão ativo e um dos símbolos do país. Sua formação está ligada à convergência de três placas tectônicas: a Placa Euroasiática, a Placa do Pacífico e a Placa Filipina. As erupções vulcânicas, além de formarem a montanha, também liberam gases e cinzas que alteram o ambiente ao redor.

Abalos Sísmicos (Terremotos)

Os abalos sísmicos, ou terremotos, são vibrações da superfície terrestre causadas pela liberação abrupta de energia acumulada nas rochas, geralmente devido ao movimento das placas tectônicas.

  • Epicentro: Ponto na superfície terrestre diretamente acima do foco (hipocentro), onde a intensidade do terremoto é maior.
  • Hipocentro: Local no interior da Terra onde o terremoto se origina.

Exemplo:

O terremoto de 2010 no Haiti, com magnitude de 7,0, foi devastador e causou grande destruição e perda de vidas. Ele ocorreu devido ao movimento da Falha Enriquillo-Plantain Garden, uma falha de deslizamento transcorrente que faz parte do limite entre a Placa do Caribe e a Placa Norte-Americana.

Agentes Externos (Exógenos)

Os agentes externos, ou exógenos, atuam na superfície terrestre, desgastando (intemperismo) e transportando (erosão) os materiais rochosos e sedimentares expostos. Eles trabalham na modificação e suavização das formas de relevo criadas pelos agentes internos.

Os principais agentes externos são o intemperismo e a erosão, que podem ser causados pela água, vento, gelo e seres vivos.

Intemperismo

O intemperismo é o conjunto de processos físicos, químicos e biológicos que provocam a desagregação (quebra) e a decomposição (transformação) das rochas e minerais, sem que haja transporte significativo de material.

  • Intemperismo Físico (Desagregação): Provoca a fragmentação das rochas em pedaços menores.
    • Variação de temperatura: Dilatação e contração das rochas por calor e frio.
    • Congelamento da água: Expansão do gelo em fendas das rochas.
    • Alívio de pressão: Expansão e lascamento de rochas que perdem a cobertura.
  • Intemperismo Químico (Decomposição): Altera a composição química das rochas.
    • Oxidação: Reação de minerais com oxigênio (ex: ferrugem).
    • Hidrólise: Reação de minerais com a água.
    • Carbonatação: Reação de minerais com dióxido de carbono dissolvido na água (muito comum em rochas calcárias, formando cavernas).
  • Intemperismo Biológico: Ação de seres vivos na desagregação e decomposição das rochas.
    • Plantas: Raízes que penetram e expandem as fendas das rochas.
    • Animais: Escavações e decomposição de matéria orgânica.

Exemplo:

Em regiões desérticas, como o Saara, o intenso calor diurno e o frio noturno causam a dilatação e contração das rochas, levando ao seu esfarelamento gradual. Este é um exemplo de intemperismo físico por variação de temperatura.

Erosão

A erosão é o processo de desgaste, transporte e deposição de materiais rochosos e sedimentares, causado por agentes naturais como a água, o vento, o gelo e a gravidade. É o passo seguinte ao intemperismo.

  • Erosão Pluvial: Causada pela água da chuva. Pode ser laminar (arrasta a camada superficial), em sulcos (pequenas valas) ou em voçorocas (grandes e profundas ravinas).
  • Erosão Fluvial: Causada pela água dos rios. Esculpe vales, forma leitos e transporta sedimentos.
  • Erosão Marinha: Causada pelas ondas, marés e correntes oceânicas. Modela litorais, formando falésias, praias e restingas.
  • Erosão Eólica: Causada pelo vento. Transporta partículas finas (poeira) e desgasta rochas através da abrasão.
  • Erosão Glacial: Causada pelo movimento de geleiras. Escava vales em forma de “U” e transporta grandes volumes de sedimentos.
  • Erosão Gravitacional (Movimentos de Massa): Deslocamento de rochas e solos por ação da gravidade, como deslizamentos de terra, quedas de blocos e rastejo.

Exemplo:

As Cataratas do Iguaçu são um espetacular exemplo de erosão fluvial. A força da água do Rio Iguaçu desgasta constantemente as rochas basálticas da região, recuando a cachoeira e formando um cânion ao longo do tempo.

Interação entre Agentes Internos e Externos

A paisagem terrestre é um resultado dinâmico da constante interação e equilíbrio (ou desequilíbrio) entre os agentes internos e externos. Enquanto os agentes internos tendem a construir e elevar as formas de relevo, os agentes externos atuam para destruir e rebaixar essas estruturas.

  • As montanhas formadas por dobramentos (agente interno) são imediatamente submetidas à ação do intemperismo e da erosão (agentes externos), que as desgastam e as transformam em formas mais suaves e arredondadas ao longo de milhões de anos.
  • A distribuição de sedimentos transportados pela erosão fluvial ou eólica pode criar novas formas de relevo, como planícies fluviais ou dunas, influenciando também a formação do solo.

Exemplo:

Considere uma cadeia de montanhas jovens, como o Himalaia, formada por intensos movimentos tectônicos. O pico Everest, por exemplo, ainda está em processo de elevação devido à colisão das placas. No entanto, o cume está constantemente exposto ao intemperismo físico (congelamento e degelo, variação térmica) e à erosão glacial, que removem material e modelam a paisagem. Ao mesmo tempo, terremotos frequentes na região evidenciam a atividade interna contínua.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2018)

As formas de relevo que compõem a superfície terrestre estão em constante modificação. Sobre os agentes modeladores do relevo, é correto afirmar que:

  • a) Os agentes endógenos atuam na superfície da Terra, desgastando e transportando os materiais rochosos.
  • b) O vulcanismo e os abalos sísmicos são exemplos de agentes exógenos que modelam o relevo.
  • c) O intemperismo e a erosão são agentes internos responsáveis pela criação de grandes estruturas.
  • d) Os agentes externos são responsáveis pela destruição e deposição de materiais, suavizando as formas de relevo.
  • e) O tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos são agentes exógenos que atuam na crosta terrestre.

Resposta: Alternativa d: Os agentes externos, como o intemperismo e a erosão (causados por água, vento, gelo), atuam na superfície da Terra, desgastando, transportando e depositando materiais, o que leva à destruição e suavização das grandes formas de relevo criadas pelos agentes internos.

2. (UNESP-2019)

Analise a imagem a seguir, que representa um perfil de relevo em uma região montanhosa:

(Imagine aqui uma imagem de uma montanha com vales em V e presença de rios)

Nessa paisagem, a formação do relevo com vales em “V” e a presença de sedimentos transportados pelo rio são resultados da ação predominante de quais agentes modeladores?

  • a) Agentes internos, como o tectonismo e o vulcanismo.
  • b) Intemperismo químico e abalos sísmicos.
  • c) Erosão fluvial e intemperismo físico.
  • d) Erosão eólica e intemperismo biológico.
  • e) Movimentos de massa e vulcanismo.

Resposta: Alternativa c: A formação de vales em “V” é uma característica marcante da erosão fluvial, onde a água do rio atua tanto no desgaste vertical quanto no transporte de sedimentos. O intemperismo físico contribui para a fragmentação das rochas, facilitando a ação erosiva da água.

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