Transformacoes do relevo ao longo do tempo: descubra como ocorre

Geografia

Transformações do relevo ao longo do tempo

As transformações do relevo ao longo do tempo referem-se aos processos contínuos de alteração das formas da superfície terrestre, moldadas por forças internas e externas. Essas mudanças, que ocorrem em escalas geológicas, são responsáveis pela diversidade de paisagens que observamos hoje, desde imponentes cadeias de montanhas até extensas planícies. Entender essas transformações é fundamental para compreender a dinâmica do nosso planeta e os fenômenos geológicos que o afetam.

Ao longo de milhões de anos, a Terra passou por um ciclo constante de construção e destruição de formas de relevo. Essas evoluções são impulsionadas por agentes endógenos, como o movimento das placas tectônicas e o vulcanismo, e por agentes exógenos, como a erosão e a sedimentação. A interação desses fatores resulta em paisagens em perpétua mudança, adaptando-se às condições ambientais e energéticas do planeta.

O estudo das transformações do relevo é crucial para diversas áreas, desde a compreensão da formação de recursos naturais até a previsão de riscos geológicos. Ao analisar as rochas, as formas de relevo e os vestígios de processos passados, os geólogos conseguem reconstruir a história da Terra e antecipar futuras alterações em nosso planeta.

Agentes de Transformação do Relevo

A superfície terrestre é dinâmica e está em constante remodelação. Essa transformação é promovida pela ação conjunta de dois grupos principais de agentes: os internos (endógenos) e os externos (exógenos).

Agentes Internos (Endógenos)

Os agentes internos são aqueles que se originam do interior da Terra. Eles são responsáveis pela criação das grandes feições do relevo, como montanhas e planaltos.

  • Movimentos tectônicos: A Terra é composta por placas tectônicas que se movem lentamente. O choque, o afastamento ou o deslize dessas placas podem causar dobramentos, falhamentos e vulcanismo, gerando cadeias de montanhas (como os Andes e o Himalaia) e fossas oceânicas.
  • Vulcanismo: A erupção de magma (lava) na superfície pode formar montanhas vulcânicas e planaltos de rocha basáltica. O vulcanismo é um processo que adiciona material à crosta terrestre, alterando diretamente a topografia.
  • Terremotos: Embora não criem novas formas de relevo diretamente, os terremotos, causados pelo acúmulo e liberação de energia nas falhas geológicas, podem provocar desmoronamentos, tsunamis e alterar a configuração de áreas costeiras e montanhosas.

Agentes Externos (Exógenos)

Os agentes externos atuam na superfície terrestre, modelando e desgastando o relevo já formado pelos agentes internos. Os principais são a água, o vento, o gelo e a ação biológica.

  • Erosão Hídrica: A água, seja em rios, chuvas ou mares, é um dos agentes erosivos mais potentes. Rios escavam vales profundos, a chuva modela encostas e as ondas do mar atacam as linhas costeiras.
  • Erosão Eólica: O vento, especialmente em regiões áridas e semiáridas, transporta partículas de areia e poeira, desgastando rochas e formando dunas e outras feições características.
  • Glaiação (Erosão Glacial): Em regiões de clima frio, as geleiras e as massas de gelo movem-se lentamente, esculpindo vales em forma de “U”, fiordes e circos glaciais. O derretimento dessas geleiras também altera o relevo e o nível do mar.
  • Intemperismo: Refere-se à desagregação e decomposição das rochas pela ação física (variação de temperatura, gelo), química (reação com água, oxigênio, ácidos) e biológica (ação de raízes de plantas, microrganismos). O intemperismo prepara o material para ser removido pela erosão.
  • Ação Biológica: Organismos vivos, incluindo plantas, animais e microrganismos, também participam das transformações. As raízes das plantas podem fraturar rochas, e a atividade de animais escavadores altera o solo e o substrato.

Processos de Modelagem do Relevo

A interação entre os agentes de transformação e as características das rochas e do clima dá origem a diversos processos que modelam o relevo.

Intemperismo e Erosão

O intemperismo é o primeiro passo para a alteração do relevo. Ele quebra as rochas em fragmentos menores e as decompõe quimicamente. Em seguida, os agentes erosivos entram em ação para remover esse material intemperizado.

  • Erosão e transporte: Rios carregam sedimentos montanha abaixo, o vento os transporta por longas distâncias, e o gelo move grandes blocos de rocha. Esse transporte esculpe o relevo, desgastando as áreas de origem e depositando material em outras.
  • Sedimentação: O material transportado pelos agentes erosivos é depositado em locais de menor energia, como leitos de rios, lagos, oceanos ou em áreas de planície. Ao longo do tempo, esses depósitos podem formar novas camadas de rochas sedimentares, como as planícies aluvionares.

Dobramentos e Falhamentos

Os movimentos tectônicos, especialmente nas zonas de convergência de placas, causam a deformação da crosta terrestre.

  • Dobramentos: As rochas sedimentares, quando submetidas a fortes pressões laterais, podem se enrugar, formando anticlinais (convexas para cima) e sinclinais (côncavas para cima). Esses processos dão origem a grandes cadeias de montanhas como os Alpes e o Himalaia.
  • Falhamentos: Quando as rochas não conseguem se dobrar, elas se rompem, formando falhas. O movimento ao longo dessas falhas pode elevar blocos de rocha (horst) ou rebaixá-los (graben), criando formas de relevo como montanhas falhadas e vales em fosso.

Evolução do Relevo Terrestre ao Longo do Tempo Geológico

A história da Terra, dividida em éons, eras e períodos geológicos, é marcada por profundas transformações no relevo.

Era Pré-Cambriana

Nos primórdios da Terra, o relevo era formado principalmente por atividade vulcânica e pela lenta erosão de antigas montanhas que se formavam e desapareciam. Os escudos cristalinos, como o Escudo das Guianas e o Escudo Canadense, são remanescentes desse período, representando o núcleo de antigos continentes desgastados pela erosão.

Era Paleozoica

Durante a Era Paleozoica, ocorreram grandes orogenias (formação de montanhas), como a Orogenia Caledoniana (formando montanhas na atual Escócia e Escandinávia) e a Orogenia Hercínica ou Varisca (que formou montanhas na Europa e América do Norte). No final desta era, a colisão de continentes formou o supercontinente Pangeia, criando uma imensa cadeia de montanhas que hoje se encontra bastante erodida.

Era Mesozoica

A Era Mesozoica foi um período de relativa estabilidade tectônica, marcado pela fragmentação da Pangeia. O afastamento dos continentes levou à formação de bacias sedimentares, onde se acumularam grandes depósitos que deram origem a rochas como o arenito e o calcário. O vulcanismo associado à formação do Oceano Atlântico também moldou extensas áreas.

Era Cenozoica

A Era Cenozoica, que se estende até os dias atuais, é caracterizada pela formação das grandes cadeias de montanhas modernas, como os Andes, os Alpes e o Himalaia, resultantes da colisão das placas tectônicas. A glaciação, que ocorreu em períodos de frio intenso (Eras Glaciais), também remodelou vastas áreas da América do Norte e da Europa, esculpindo vales, fiordes e depósitos de sedimentos glaciais. A erosão contínua por rios, ventos e o mar continua a modelar as paisagens, transportando sedimentos e formando planícies, deltas e praias.

A Transformação do Relevo no Brasil

O relevo brasileiro, embora apresente formas mais antigas e desgastadas em comparação com as grandes cordilheiras atuais, também é resultado de processos geológicos extensos. As principais formas de relevo do Brasil são:

  • Planaltos: Áreas elevadas com superfície relativamente plana ou ondulada, formadas por processos de erosão e sedimentação ao longo de eras geológicas. Exemplos incluem o Planalto Central, o Planalto Meridional e o Planalto Atlântico.
  • Planícies: Extensas áreas de baixa altitude e pouca declividade, formadas pelo acúmulo de sedimentos trazidos por rios ou pelo mar. As planícies amazônica e do Pantanal são exemplos notáveis.
  • Depressões: Áreas rebaixadas em relação ao seu entorno, muitas vezes formadas pela erosão em áreas de rochas mais fracas. A Depressão Amazônica e a Depressão Sertaneja são exemplos.

As transformações do relevo no Brasil são marcadas pela intensa e prolongada ação dos agentes externos, especialmente a erosão hídrica e o intemperismo, sobre estruturas geológicas antigas. Os planaltos brasileiros, por exemplo, são resultado da sedimentação e posterior soerguimento e erosão de bacias sedimentares antigas. As planícies são áreas de deposição ativa, onde os rios depositam sedimentos trazidos de regiões mais elevadas.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2022)

As paisagens são o resultado de uma complexa interação de processos, tanto naturais quanto antrópicos. A compreensão desses processos é essencial para o estudo do espaço geográfico. Analise a figura e o texto a seguir.

[Imagem hipotética mostrando um vale fluvial em forma de “V” e uma montanha com geleira esculpindo um vale em “U”]

A figura exemplifica dois processos distintos de modelagem do relevo: o vale em “V” é típico da ação de rios em áreas de planalto, enquanto o vale em “U” é resultado da ação de geleiras em regiões montanhosas. A diferença na forma desses vales está relacionada, principalmente, à diferença na:

  • a) intensidade do intemperismo químico
  • b) velocidade do transporte de sedimentos
  • c) magnitude dos terremotos locais
  • d) energia de ação dos agentes modeladores
  • e) predominância de dobramentos geológicos

Resposta: Alternativa d: A forma dos vales (em “V” vs. “U”) é diretamente influenciada pela energia e pelo modo de atuação dos agentes modeladores. Rios, com sua ação mais concentrada e erosão vertical, criam vales em “V”. Geleiras, com sua massa e capacidade de escavação, moldam vales largos e em “U”.

2. (Vestibular-SP-2021)

A formação de cadeias de montanhas como o Himalaia ou os Andes é um processo que envolve energias imensas provenientes do interior da Terra. Esses eventos geológicos são exemplos de:

  • a) Erosão eólica em grande escala
  • b) Deposição de sedimentos marinhos
  • c) Intemperismo físico e químico
  • d) Movimentos tectônicos de colisão
  • e) Vulcanismo de ponto quente

Resposta: Alternativa d: A formação das grandes cadeias de montanhas modernas, como Himalaia e Andes, ocorre devido à colisão de placas tectônicas, onde a crosta terrestre é enrugada e elevada, formando dobramentos e falhamentos.

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