Sujeito composto: concordância – descubra as regras essenciais

Língua Portuguesa

Sujeito composto: concordância

O sujeito composto é um elemento gramatical fundamental na Língua Portuguesa, caracterizado pela presença de dois ou mais núcleos. A concordância verbal e nominal com o sujeito composto segue regras específicas que garantem a clareza e a correção da frase. Dominar essas regras é essencial para uma comunicação eficaz, especialmente em contextos formais como provas de vestibular e o ENEM.

Entender a concordância verbal com sujeito composto significa saber como o verbo se flexiona para concordar com os diferentes núcleos. Da mesma forma, a concordância nominal exige que adjetivos e outras palavras variáveis se ajustem aos núcleos do sujeito. Este artigo detalha essas regras com exemplos claros para facilitar o aprendizado.

A importância de dominar a concordância com sujeito composto reside na sua alta incidência em testes de proficiência e concursos. Uma aplicação incorreta pode levar a erros de sentido e demonstrar falta de domínio da norma culta da língua.

Características do sujeito composto

As principais características do sujeito composto giram em torno da sua estrutura e da consequente flexão dos verbos e termos a ele relacionados.

  • Múltiplos Núcleos: A característica definidora é a existência de dois ou mais núcleos (substantivos ou pronomes) que exercem a função de sujeito.
  • Unidade Sintática: Apesar de ter múltiplos núcleos, o sujeito composto funciona como uma única unidade dentro da oração.
  • Concordância Verbal: O verbo geralmente concorda com todos os núcleos, indo para o plural. Existem, contudo, exceções e variações.
  • Concordância Nominal: Adjetivos e outras palavras variáveis que se referem ao sujeito composto podem concordar com todos os núcleos ou apenas com um deles, dependendo da posição e da preferência.

Concordância verbal com sujeito composto

A regra geral para a concordância verbal com sujeito composto é que o verbo vá para o plural, concordando com a totalidade dos núcleos. No entanto, existem nuances importantes a serem consideradas.

Regra geral: Verbo no plural

Quando o sujeito composto vier antes do verbo, este deve obrigatoriamente ir para o plural.

Exemplo:

O menino e a menina brincam no parque.

Neste caso, os núcleos “menino” e “menina” levam o verbo “brincar” para o plural.

Verbo no singular: Casos específicos

O verbo pode ficar no singular em algumas situações, mesmo com sujeito composto:

  1. Sujeito composto posposto: Se o sujeito composto vier depois do verbo, este pode concordar apenas com o núcleo mais próximo ou ir para o plural. A concordância no plural é mais comum e geralmente preferível.
  2. Exemplo:

    Chegou o pai e o filho. (Concorda com o núcleo mais próximo: “pai”)

    Chegaram o pai e o filho. (Concorda com ambos os núcleos, no plural)

  3. Um dos núcleos no singular e os outros no plural: Se um dos núcleos estiver no singular e os demais no plural, o verbo pode concordar com o núcleo do singular (geralmente o mais próximo, se o sujeito for posposto) ou ir para o plural.
  4. Exemplo:

    A equipe, juntamente com o técnico, foi apresentada. (Concorda com “equipe”, núcleo singular mais próximo e isolado por vírgulas que indicam um adjunto adverbial deslocado, mas a estrutura aqui se aproxima mais de sujeito simples com adjunto adessivo)

    A equipe e os jogadores foram apresentados. (Concorda com a totalidade: “equipe” e “jogadores”)

  5. Predicativo do sujeito no singular: Se o predicativo do sujeito estiver no singular, o verbo pode concordar com o predicativo.
  6. Exemplo:

    O time e a torcida estavam preocupados. (Predicativo no plural, concordando com o sujeito composto)

    O time e a torcida saíram exaustos. (Predicativo no plural)

    Nota: Este caso é mais comum em concordância com o predicativo do sujeito do que uma regra direta de concordância verbal com sujeito composto posposto e predicativo no singular. A predominância é do plural.

  7. Expressões de soma: Verbos como “mais”, “junto com”, “acrescido de”, “em companhia de” podem atuar como elementos que não formam um sujeito composto em termos de obrigatoriedade de plural. Nesses casos, o verbo concorda com o primeiro elemento.
  8. Exemplo:

    A diretora, mais os alunos, assistiu à apresentação. (O verbo concorda com “diretora”)

    João, junto com Maria, foi ao cinema. (O verbo concorda com “João”)

Concordância nominal com sujeito composto

A concordância nominal com o sujeito composto também apresenta flexibilidade, dependendo da posição dos adjetivos e de outros termos que a ele se referem.

Regra geral: Concordância com todos os núcleos (plural)

Quando o adjetivo ou outro termo variável aparece depois de todos os núcleos do sujeito composto, geralmente concorda com todos eles, ou seja, vai para o plural.

Exemplo:

O professor e os alunos estavam atentos.

Aqui, “atentos” concorda com “professor” e “alunos”.

Concordância com o núcleo mais próximo

Se o adjetivo aparecer depois do sujeito composto e houver um dos núcleos mais próximo dele, a concordância pode ser feita apenas com esse núcleo. Essa forma é menos usual e pode soar menos formal.

Exemplo:

A casa e o jardim estavam bonitos. (Concordância com ambos)

A casa e o jardim estavam bonito. (Concordância apenas com “jardim” – menos usual e pode ser ambíguo)

Adjetivo antes do sujeito composto

Se o adjetivo aparecer antes de todos os núcleos do sujeito composto, ele geralmente concorda com o núcleo mais próximo.

Exemplo:

Felizes, o casal e os filhos comemoraram. (Felizes concorda com “o casal” e “os filhos”, no plural)

Feliz, o casal e os filhos comemoraram. (Feliz concorda com “o casal” – menos usual e pode soar incompleto)

Exemplos de sujeito composto em contextos de vestibular e ENEM

A aplicação das regras de concordância com sujeito composto é frequentemente testada em avaliações. É importante analisar os enunciados com atenção.

Exemplo 1

Questão: Assinale a alternativa em que a concordância verbal está correta.

  • a) Chegaram o músico e os cantores.
  • b) O jogador, junto com os técnicos, decidiram a estratégia.
  • c) A obra e seus detalhes foram analisados pelos críticos.
  • d) Estavam cansados o estudante e seus pais.
  • e) A notícia e a repercussão atingiram o país.

Análise:

  • a) Correta. Sujeito composto posposto (“o músico e os cantores”) e verbo no plural (“Chegaram”).
  • b) Incorreta. “O jogador, junto com os técnicos” é um sujeito simples com adjunto adverbial. O verbo deveria concordar com “jogador”: “decidiu”.
  • c) Correta. Sujeito composto posposto (“A obra e seus detalhes”) e verbo no plural (“foram analisados”).
  • d) Correta. Sujeito composto posposto (“o estudante e seus pais”) e verbo no plural (“Estavam”).
  • e) Incorreta. Sujeito composto anteposto (“A notícia e a repercussão”) e verbo no singular (“atingiram”). O verbo deveria estar no plural.

Resposta: Alternativas a, c e d apresentam concordância correta. Nota: Em questões de múltipla escolha, geralmente há apenas uma resposta correta. A intenção aqui é demonstrar a análise de cada item.

Exemplo 2

Questão: Analise a frase: “O sol e a chuva alternavam-se no céu, tornando o dia ora claro, ora nublado.”

A concordância verbal está correta, pois o verbo “alternavam-se” concorda com:

  • a) O sol.
  • b) A chuva.
  • c) O sol e a chuva.
  • d) O dia.
  • e) Ora claro, ora nublado.

Análise: O sujeito da oração é “O sol e a chuva”. Trata-se de um sujeito composto com dois núcleos. A concordância verbal é feita obrigatoriamente no plural quando o sujeito composto vem antes do verbo, como é o caso aqui.

Resposta: Alternativa c: O sol e a chuva.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2022)

Assinale a alternativa que apresenta a concordância verbal adequada.

  • a) Se as leis e os decretos forem aplicados com rigor, a sociedade se beneficia.
  • b) A população, assim como os governantes, precisa cumprir seus deveres.
  • c) A esperança e o medo assustava os cidadãos diante da incerteza.
  • d) O fato e as consequências chocaram os espectadores.
  • e) A notícia e os comentários sobre o evento foram amplamente divulgados.

Resposta: Alternativa a: A concordância em “Se as leis e os decretos forem aplicados” está correta, pois o verbo “ser” concorda com o sujeito composto anteposto (“as leis e os decretos”). Na alternativa (b), “assim como” não forma sujeito composto, portanto o verbo deveria concordar com “A população” (precisa). Na (c), o verbo “assustava” deveria estar no plural. Na (d), “O fato e as consequências” é sujeito composto anteposto, o verbo deveria estar no plural. Na (e), a concordância está correta. No entanto, a alternativa “a” é um exemplo mais direto e universalmente aceito de concordância verbal com sujeito composto.

2. (VESTIBULAR-USP-2021)

Observe a frase: “O professor e os alunos, exaustos, saíram da sala.”

A concordância nominal em “exaustos” está correta, pois refere-se:

  • a) Apenas ao professor.
  • b) Apenas aos alunos.
  • c) Ao professor e aos alunos.
  • d) Apenas à sala.
  • e) Ao professor, aos alunos e à sala.

Resposta: Alternativa c: O adjetivo “exaustos” aparece após o sujeito composto (“O professor e os alunos”) e concorda com a totalidade de seus núcleos, indo para o plural.

3. (ENEM-2023)

Em relação à concordância, a frase que está gramaticalmente correta é:

  • a) Os relatórios e os gráficos comprovava as hipóteses.
  • b) A diretora, junto com seus assessores, estudou as propostas.
  • c) Haviam muitos problemas a serem resolvidos.
  • d) Fizeram 20 anos que ele partiu.
  • e) Chegou o presidente e sua comitiva.

Resposta: Alternativa e: O sujeito composto posposto “O presidente e sua comitiva” faz o verbo “chegar” ir para o plural (“Chegaram”), o que estaria correto se fosse “Chegaram o presidente e sua comitiva”. Entretanto, na forma apresentada, com o verbo no singular e o sujeito posposto, a concordância se faz com o núcleo mais próximo (“presidente”), o que está correto. Na alternativa (b), “junto com” não forma sujeito composto, o verbo deveria concordar com “A diretora” (estudou). Na (c), o verbo “haver” no sentido de existir é impessoal e fica no singular. Na (d), o verbo “fazer” indicando tempo é impessoal e fica no singular. Na alternativa (a), o verbo deveria estar no plural.

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