Relevo brasileiro: visão geral dos principais tipos e formações

Geografia

Relevo brasileiro: visão geral

O relevo brasileiro refere-se ao conjunto de formas da superfície terrestre encontradas no território do Brasil, moldadas por processos geológicos internos (endógenos) e externos (exógenos) ao longo de milhões de anos.

Este conjunto de formas terrestres é caracterizado por sua diversidade, abrangendo desde planaltos a planícies, depressões e até mesmo montanhas, embora estas últimas não sejam tão proeminentes quanto em outras regiões do planeta. Compreender o relevo é fundamental para o estudo da geografia física do país.

A análise do relevo brasileiro é crucial para diversas atividades humanas, como o planejamento urbano, a agricultura, a mineração e a gestão de recursos hídricos, além de ser um tema frequente em questões de vestibulares e no ENEM.

Características gerais do relevo brasileiro

O relevo do Brasil é predominantemente caracterizado por altitudes modestas e formas antigas, resultado de um longo processo de erosão e sedimentação. Ao contrário de regiões geologicamente jovens com grandes cadeias de montanhas, o Brasil exibe um relevo mais desgastado e estabilizado.

As estruturas geológicas que sustentam o relevo brasileiro são antigas, formadas durante a Era Pré-Cambriana e Paleozoica. Isso explica a ausência de dobramentos modernos e a predominância de planaltos e depressões.

As altitudes médias no Brasil são relativamente baixas, com a maior parte do território situando-se entre 200 e 800 metros acima do nível do mar. Os pontos mais elevados estão localizados em áreas de planaltos mais resistentes à erosão.

Principais formas de relevo no Brasil

O relevo brasileiro pode ser classificado em quatro grandes unidades geomorfológicas principais, de acordo com as classificações de A.N. Strahler e adaptadas para o Brasil por Aziz Ab’Sáber e Jurandyr Ross: Planaltos, Planícies, Depressões e Serras/Montanhas.

Planaltos

Os planaltos constituem a maior parte do território brasileiro, apresentando superfícies elevadas e relativamente planas ou suavemente onduladas, geralmente com topos mais ou menos aplainados. São áreas onde os processos de erosão atuam intensamente, mas a elevação do terreno é mantida ou supera a intensidade da erosão.

Os planaltos brasileiros podem ser subdivididos em:

  • Planaltos Cristalinos: Formados por rochas antigas como granito e gnaisse, com superfícies mais acidentadas e frequentes ondulações. Exemplo: Planalto da Borborema.
  • Planaltos Basálticos: Formados por rochas vulcânicas (basalto), caracterizados por superfícies tabulares e escarpas íngremes. Exemplo: Planalto de Apucarana (Paraná).
  • Planaltos Sedimentares: Formados pela deposição e soerguimento de sedimentos, com superfícies mais suaves e onduladas. Exemplo: Planalto Central.

Planícies

As planícies são áreas de superfície plana ou quase plana, com baixas altitudes e geralmente formadas por acúmulo de sedimentos recentes. Elas ocorrem em áreas de deposição, como margens de rios e litorais.

As principais planícies do Brasil são:

  • Planície Amazônica: A maior planície da América do Sul, formada por sedimentos trazidos pelo Rio Amazonas e seus afluentes. É uma área de grande importância hídrica e ecológica.
  • Planície do Pantanal: Uma vasta área alagável, formada por sedimentos da Bacia do Alto Paraná. Caracteriza-se por ciclos de cheias e secas que definem sua paisagem.
  • Planície Costeira (ou Litorânea): Faixa de terra que acompanha o litoral brasileiro, formada por sedimentos marinhos e fluviais, incluindo restingas, manguezais e dunas.

Depressões

As depressões são áreas de relevo rebaixado em relação ao seu entorno, podendo apresentar altitudes inferiores às das áreas vizinhas. Podem ser formadas por processos erosivos intensos ou pelo afundamento da crosta terrestre.

Exemplos de depressões no Brasil incluem:

  • Depressão Amazônica: Área rebaixada na Bacia Amazônica, circundada por planaltos.
  • Depressão Sertaneja: Região semiárida do Nordeste, caracterizada por relevo desgastado pela erosão e baixas altitudes.
  • Depressão do Araguaia: Vale formado pelo rio Araguaia, em parte rebaixado em relação aos planaltos circundantes.

Serras e Montanhas

Embora o Brasil não possua cadeias de montanhas de grande altitude como os Andes, existem formações serranas e de montanha resultantes de processos tectônicos mais antigos ou de falhamentos.

Algumas das serras e montanhas notáveis são:

  • Serra do Mar: Cordilheira litorânea que acompanha a costa do Sudeste e Sul do Brasil, com altitudes moderadas.
  • Serra da Mantiqueira: Sistema montanhoso que se estende pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, abrigando o ponto mais alto do Brasil, o Pico da Neblina (embora este último esteja na Amazônia). Correção: O Pico da Neblina está na Serra do Imeri, Venezuela, na fronteira com o Brasil. O ponto mais alto do Brasil continental é o Pico da Bandeira, na Serra do Caparaó.
  • Chapada Diamantina: Planalto com relevo acidentado, caracterizado por cânions, chapadões e serras, na Bahia.

Processos de formação do relevo brasileiro

O relevo brasileiro é moldado pela interação constante entre forças internas (endógenas) e externas (exógenas).

As forças endógenas, como o tectonismo e o vulcanismo, foram mais intensas no passado geológico e contribuíram para a formação das estruturas básicas do relevo. No entanto, atualmente, o Brasil está longe das áreas de grande atividade tectônica, o que resulta em pouca ocorrência de terremotos e vulcanismo ativo.

As forças exógenas são as principais responsáveis pela modelagem do relevo atual. Elas incluem:

  • Intemperismo: Desgaste físico e químico das rochas.
  • Erosão: Transporte do material erodido por agentes como água, vento e gelo (menos relevante no Brasil).
  • Sedimentação: Deposição do material transportado, formando novas camadas de rochas ou depósitos sedimentares.

A ação dos rios é particularmente importante na erosão e na formação de vales e planícies, enquanto a chuva e a ação do vento também contribuem para o desgaste das rochas e a modelagem das paisagens.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2022) O relevo brasileiro é marcado pela predominância de planaltos e planícies, com altitudes geralmente inferiores a 1.000 metros. Essa característica é consequência de um longo processo de desgastes e sedimentação, pois o território brasileiro se encontra no centro de uma placa tectônica e não em limites de placas, onde ocorrem os dobramentos modernos.

Qual das seguintes formas de relevo é característica do Brasil e se encaixa na descrição de um planalto com superfícies mais suavemente onduladas e acidentadas, formado pela erosão de rochas antigas?

  • a) Planície Amazônica
  • b) Depressão Sertaneja
  • c) Planalto Central
  • d) Serra do Mar
  • e) Planície Costeira

Resposta: Alternativa c: O Planalto Central é um dos maiores exemplos de planaltos brasileiros, com superfícies onduladas resultantes de erosão de rochas antigas, e abrange grande parte do território.

2. (VUNESP-2021) O Brasil, por estar localizado no interior de uma placa tectônica, não apresenta dobramentos modernos e altitudes elevadas como os Andes. Seu relevo é, portanto, predominantemente antigo e desgastado. Dentre as unidades geomorfológicas mencionadas, qual representa uma área de superfície plana ou com declividade suave, formada pelo acúmulo de sedimentos em locais de baixa altitude, geralmente em áreas aluvionares ou costeiras?

  • a) Chapada Diamantina
  • b) Planalto da Borborema
  • c) Depressão Amazônica
  • d) Planície do Pantanal
  • e) Serra da Mantiqueira

Resposta: Alternativa d: A Planície do Pantanal é um exemplo clássico de planície aluvial, caracterizada pela acumulação de sedimentos e pela baixa altitude, com superfícies predominantemente planas.

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