Oração subordinada: exemplos
Uma oração subordinada é uma oração que depende sintaticamente de outra oração (chamada de principal) para ter sentido completo. Ela não possui autonomia e funciona como um termo integrante da oração principal, seja como sujeito, objeto, adjunto, etc.
No estudo da gramática portuguesa, compreender a relação entre orações é fundamental para a análise sintática. As orações subordinadas são essenciais para construir períodos complexos e expressar ideias mais elaboradas, sendo um tema recorrente em vestibulares e no ENEM.
O domínio das orações subordinadas enriquece a capacidade de interpretação textual e melhora a produção escrita, permitindo uma comunicação mais precisa e eficaz.
Características das Orações Subordinadas
As principais características das orações subordinadas são:
- Dependência Sintática: Não possuem sentido isoladamente; necessitam de uma oração principal.
- Função Sintática: Exercem uma função específica dentro da oração principal (sujeito, objeto, adjunto, predicativo, aposto, etc.).
- Introdução por Conjunções/Pronomes: Geralmente, são introduzidas por conjunções subordinativas (que, se, como, quando, etc.) ou pronomes relativos (que, quem, qual, cujo, etc.).
- Flexibilidade: Podem ser desenvolvidas (com verbos conjugados) ou reduzidas (com verbos no infinitivo, gerúndio ou particípio).
Tipos de Orações Subordinadas
As orações subordinadas são classificadas principalmente em três tipos, de acordo com a função sintática que exercem na oração principal: substantivas, adjetivas e adverbiais.
Orações Subordinadas Substantivas
As orações subordinadas substantivas exercem a função de um substantivo na oração principal. Elas podem atuar como sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, aposto ou complemento nominal. São introduzidas, na maioria das vezes, por conjunções integrantes como “que” e “se” (no sentido de “isto”, “aquilo”).
Exemplos:
É importante que você estude para a prova.
Neste exemplo, a oração “que você estude para a prova” funciona como sujeito da oração principal “É importante”.
Os alunos queriam que o professor explicasse a matéria novamente.
Aqui, “que o professor explicasse a matéria novamente” atua como objeto direto do verbo “queriam”.
Tenho certeza de que tudo ficará bem.
A oração “de que tudo ficará bem” funciona como complemento nominal do termo “certeza”.
O problema é que não temos tempo suficiente.
“que não temos tempo suficiente” exerce a função de predicativo do sujeito “O problema”.
O diretor fez uma exigência: que todos comparecessem à reunião.
A oração “que todos comparecessem à reunião” atua como aposto explicativo da palavra “exigência”.
Orações Subordinadas Adjetivas
As orações subordinadas adjetivas exercem a função de um adjetivo, qualificando ou determinando um termo da oração principal (chamado de antecedente). São introduzidas por pronomes relativos (que, quem, qual, cujo, onde, quando, como). Existem dois tipos: explicativas e restritivas.
Orações Subordinadas Adjetivas Explicativas:
São separadas por vírgulas e acrescentam uma informação adicional ao antecedente, que é geralmente determinado ou já conhecido.
Exemplos:
Os alunos, que são dedicados, estudam bastante.
A oração “que são dedicados” explica uma característica do grupo de alunos, já determinado.
O Rio de Janeiro, que é uma cidade maravilhosa, atrai muitos turistas.
“que é uma cidade maravilhosa” acrescenta uma qualidade ao substantivo próprio “Rio de Janeiro”.
Orações Subordinadas Adjetivas Restritivas:
Não são separadas por vírgulas e restringem ou limitam o sentido do antecedente, selecionando um elemento específico dentro de um grupo.
Exemplos:
Os alunos que estudam para a prova obtêm boas notas.
A oração “que estudam para a prova” restringe o grupo de alunos, indicando apenas aqueles que realizam tal ação.
Precisamos de pessoas que tenham iniciativa.
“que tenham iniciativa” especifica o tipo de pessoas que são necessárias.
Orações Subordinadas Adverbiais
As orações subordinadas adverbiais exercem a função de um advérbio ou locução adverbial, expressando uma circunstância em relação à oração principal (tempo, causa, condição, concessão, finalidade, etc.). São introduzidas por diversas conjunções subordinativas adverbiais.
Exemplos:
1. Tempo:
Quando ele chegou, a festa já tinha acabado.
(Indica o momento em que algo ocorreu)
2. Causa:
Não saímos porque choveu muito.
(Indica o motivo pelo qual não saíram)
3. Condição:
Se você estudar, passará no exame.
(Estabelece uma condição para que algo aconteça)
4. Concessão:
Embora estivesse cansado, ele continuou trabalhando.
(Expressa uma oposição entre duas ideias)
5. Finalidade:
Estudamos muito para que pudéssemos ser aprovados.
(Indica o propósito da ação)
6. Proporção:
À medida que o tempo passava, a tensão aumentava.
(Indica uma relação de proporção)
7. Comparação:
Ele é mais alto do que eu esperava.
(Estabelece um termo de comparação)
8. Conformidade:
Fizemos como nos ensinaram.
(Indica que algo foi feito de acordo com algo)
9. Intensidade:
Choveu tanto que as ruas ficaram alagadas.
(Expressa a intensidade de uma ação ou fato)
Estrutura e Exemplos Detalhados
A análise de orações subordinadas envolve identificar a oração principal e a subordinada, a conjunção/pronome relativo e a função sintática exercida pela subordinada.
Exemplo de Análise Completa
Vamos analisar a frase: “É fundamental que todos participem da reunião para que as decisões sejam tomadas em conjunto.”
É fundamental
Esta é a oração principal.
que todos participem da reunião
Esta é a oração subordinada substantiva objetiva direta, pois funciona como sujeito de “É fundamental”. A conjunção integrante é “que”.
para que as decisões sejam tomadas em conjunto
Esta é a oração subordinada adverbial final, pois indica a finalidade da participação na reunião. A conjunção integrante é “para que”.
Neste período composto por subordinação, observamos como as orações se interligam para formar um sentido completo e detalhado.
Orações Subordinadas Reduzidas
As orações subordinadas reduzidas não são introduzidas por conjunções ou pronomes, mas sim por verbos no infinitivo, gerúndio ou particípio. Apesar de não terem conjunção explícita, elas mantêm a relação de dependência com a oração principal e exercem as mesmas funções sintáticas dos tipos de orações subordinadas desenvolvidas.
Exemplos:
- Reduzida de Infinitivo (Substantiva):
É bom ter amigos verdadeiros.
(Equivalente a: É bom que se tenha amigos verdadeiros.)
- Reduzida de Gerúndio (Adverbial):
Andando pela rua, encontrei um velho amigo.
(Equivalente a: Quando eu andava pela rua, encontrei um velho amigo.)
- Reduzida de Particípio (Adjetiva):
Os livros publicados recentemente estão em destaque.
(Equivalente a: Os livros que foram publicados recentemente estão em destaque.)
Exercícios com Gabarito
1. (ENEM 2022) O problema ambiental não é a quantidade de poluição, mas sim a concentração dela em determinados pontos.
Na oração destacada, a relação sintática estabelecida entre as orações é de:
- a) Causa
- b) Condição
- c) Explicação
- d) Concessão
- e) Intensidade
Resposta: Alternativa e: A conjunção “mas sim” estabelece uma relação de contraste e intensidade, indicando que a quantidade não é o problema principal, e sim a concentração, que intensifica o problema.
2. (FUVEST 2023) Fizeram-nos entender a gravidade da situação.
A oração destacada é uma oração subordinada:
- a) Adjetiva explicativa
- b) Substantiva objetiva direta
- c) Adverbial causal
- d) Adjetiva restritiva
- e) Substantiva predicativa
Resposta: Alternativa b: A oração “entender a gravidade da situação” funciona como objeto direto do verbo “fizeram”, indicando o que eles foram feitos a entender.
3. (UNESP 2021) É preciso que o governo tome medidas urgentes.
Classifique a oração destacada:
- a) Oração subordinada adjetiva explicativa
- b) Oração subordinada adverbial final
- c) Oração subordinada substantiva subjetiva
- d) Oração subordinada adjetiva restritiva
- e) Oração subordinada substantiva objetiva indireta
Resposta: Alternativa c: A oração “que o governo tome medidas urgentes” funciona como sujeito do verbo “É preciso”.