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Ensino Fundamental

Erros ortográficos mais comuns

Erros ortográficos mais comuns: saiba identificar e corrigir as falhas na escrita. Aprenda dicas valiosas sobre ortografia e gramática.

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Erros ortográficos mais comuns

Erros ortográficos são aqueles desvios da norma culta da língua escrita, que envolvem a escrita incorreta de palavras. Eles podem surgir por diversos motivos, como a falta de atenção, a influência de dialetos regionais ou a confusão entre palavras com pronúncia semelhante.

Dominar a ortografia é fundamental para uma comunicação clara e eficaz, especialmente em contextos acadêmicos e profissionais. A correta escrita transmite credibilidade e demonstra cuidado com a linguagem.

Identificar e corrigir os erros ortográficos mais frequentes é um passo crucial para quem busca aprimorar sua escrita e ter um bom desempenho em avaliações como o ENEM e outros vestibulares.

Por que cometemos erros ortográficos?

Existem várias razões pelas quais os erros ortográficos são tão comuns na língua portuguesa. Entender essas causas nos ajuda a combatê-los.

As principais causas incluem:

  • Homofonia e Paronímia: A língua portuguesa possui muitas palavras que soam de forma parecida (homófonas) ou têm grafia e pronúncia semelhantes (parônimas), mas significados e escritas distintas. Exemplos clássicos são “mau” e “mal”, “mas” e “mais”, “onde” e “aonde”.
  • Falta de atenção e revisão: A pressa ou a falta de uma revisão cuidadosa do texto podem levar a deslizes na escrita de palavras.
  • Influência da oralidade: A forma como falamos não corresponde sempre à forma como escrevemos. Tendências da fala, como a supressão de alguns sons, podem influenciar a escrita incorreta.
  • Desconhecimento das regras: Certas regras ortográficas, como o uso de “s” ou “z”, “x” ou “ch”, “g” ou “j”, podem ser complexas e o desconhecimento delas leva a erros.
  • Criação de palavras ou simplificações: Às vezes, por desconhecimento ou por uma tentativa de simplificação, criamos grafias que não seguem a norma padrão.

Principais erros ortográficos em Língua Portuguesa

A seguir, apresentamos alguns dos erros ortográficos mais frequentes, com explicações e exemplos para ajudar na fixação.

1. Mau x Mal

Este é um dos erros mais comuns, pois se trata de palavras homófonas (ou quase). A diferença reside na classe gramatical e no sentido oposto.

  • Mau: É um adjetivo. Seu oposto é “bom”. Usa-se antes de um substantivo.
  • Mal: É um advérbio (oposto de “bem”) ou um substantivo (oposto de “bem”). Usa-se antes de um adjetivo ou verbo.

Exemplos:

Ele é um mau aluno. (O oposto seria “bom aluno”)

Ele agiu de forma mal-educada. (O oposto seria “bem-educada”)

Ele dormiu mal. (O oposto seria “dormiu bem”)

2. Mas x Mais

Outro par de palavras que causa muita confusão pela semelhança sonora.

  • Mas: É uma conjunção adversativa, equivalente a “porém”, “contudo”, “todavia”. Indica oposição.
  • Mais: É um advérbio de intensidade, oposto de “menos”. Indica quantidade ou acréscimo.

Exemplos:

Eu estudei muito, mas não fui bem na prova. (Oposição)

Ele quer comprar mais livros. (Quantidade)

Quero comer mais um pedaço de bolo. (Acréscimo)

3. Onde x Aonde

A confusão aqui geralmente ocorre pelo uso incorreto em situações que não pedem movimento.

  • Onde: Refere-se a lugar fixo, sem ideia de movimento. Corresponde à preposição “em” + “lugar”.
  • Aonde: Refere-se a lugar com ideia de movimento. Corresponde à preposição “a” + “onde”. Usa-se com verbos que indicam movimento (ir, vir, chegar, levar).

Exemplos:

Onde você mora? (Lugar fixo)

Onde fica a biblioteca? (Lugar fixo)

Aonde você quer chegar com essa conversa? (Movimento)

Aonde vamos nas férias? (Movimento implícito de ir)

4. Há x A

Semelhante à distinção entre “onde” e “aonde”, mas focada na preposição “a” e o verbo “haver”.

  • Há: É uma forma do verbo “haver”, geralmente indicando tempo decorrido (equivalente a “faz”) ou indicando existência.
  • A: É uma preposição, usada para indicar distância, tempo futuro ou complemento de verbos.

Exemplos:

Há dois anos que não o vejo. (Tempo decorrido, equivale a “Faz dois anos…”)

Há muitas pessoas na festa. (Existência)

Vamos viajar daqui a uma semana. (Tempo futuro)

O ponto de ônibus fica a 100 metros daqui. (Distância)

5. Seção x Sessão x Cessão

Três palavras com pronúncia idêntica ou muito similar, mas com grafias e significados diferentes.

  • Seção: Partes em que algo se divide; departamento; divisão.
  • Sessão: Período de tempo ou espaço em que ocorre algo; reunião. Ex: sessão de cinema, sessão de terapia.
  • Cessão: Ato de ceder, de transferir posse ou propriedade.

Exemplos:

A seção de roupas masculinas fica no segundo andar.

A próxima sessão de cinema começa às 20h.

A cessão de direitos autorais foi realizada ontem.

6. Por que x Por quê x Porque x Porquê

O uso dessas quatro formas interrogativas e explicativas é um ponto de grande dificuldade.

  • Por que: Usado em perguntas diretas ou indiretas (“Por que você se atrasou?”, “Quero saber por que você se atrasou.”) e em algumas situações explicativas (com sentido de “pelo qual” e suas variações).
  • Por quê: Usado no final de frases interrogativas, antes de ponto final, exclamação ou interrogação.
  • Porque: Usado em respostas e explicações. Significa “pois”, “já que”, “uma vez que”.
  • Porquê: É um substantivo. Significa “o motivo”, “a razão”. Geralmente vem acompanhado de artigo ou pronome.

Exemplos:

Por que você não veio?

Você se atrasou, por quê?

Não vim porque estava doente.

Não entendi o porquê de tanta confusão.

7. Torto x Torsão

A substituição de “t” por “r” ou vice-versa pode ocorrer.

  • Torto: Que não é reto; inclinado; empenado.
  • Torsão: Ato ou efeito de torcer; contorção.

Exemplos:

O quadro está torto na parede.

O atleta sofreu uma torsão no tornozelo.

8. X (e) X (ch)

A escolha entre “x” e “ch” é uma das mais clássicas dúvidas ortográficas. Não há uma regra única, e o aprendizado se dá pela memorização e leitura.

Exemplos de palavras com “x”: táxi, xícara, exame, oxigênio, próximo, axila.

Exemplos de palavras com “ch”: chave, chuveiro, chocolate, cachorro, cherne.

Algumas dicas:

  • Palavras de origem tupi geralmente usam “x”: abacaxi, caju.
  • Terminações como “-agem”, “-ugem”, “-eza”, “-iza” frequentemente usam “g”: viagem (verbo), viagem (substantivo), ferrugem, beleza, análise.
  • Terminações como “-eixo” usam “x”: queixo, anexo.

9. G (e) J

Semelhante à dúvida entre “x” e “ch”, o uso de “g” e “j” em certas terminações e palavras é fonte de erros.

Regras gerais:

  • Verbos terminados em “-ger” e “-giar” geralmente usam “g”: dirigir, sugerir, arranjar. Exceções: viajar, lanchar.
  • Palavras derivadas de outras que já têm “j” costumam manter o “j”: jejum -> jejua.
  • Terminações como “-agem”, “-ugem”, “-igo” costumam usar “g”: garagem, ferrugem, perigo.

Exemplos:

G: gelo, girafa, magia, perigo, vagem.

J: jejum, jiló, majestade, sujeito, viagei (do verbo viajar).

10. S (e) Z

O uso de “s” ou “z” em palavras também gera dúvidas, principalmente em derivações.

Regras gerais:

  • O sufixo “-izar” forma verbos a partir de substantivos ou adjetivos, mas usa-se “s” quando o radical já tem “s”: análise -> analisar. Usa-se “z” quando o radical não tem “s”: civil -> civilizar.
  • Sufixos como “-ês”, “-esa” para formar adjetivos ou substantivos de origem: francês, portuguesa, baronesa.
  • Palavras que indicam qualidades ou estados, muitas vezes terminadas em “-eza” ou “-ice”, usam “z”: beleza, tristeza, chatice.

Exemplos:

S: casa, análise, mês, brasileiro, português.

Z: azar, beleza, feliz, juiz, zero.

Como evitar erros ortográficos

A prática constante e a atenção são os melhores aliados para evitar os erros ortográficos.

  • Leia mais: Quanto mais você lê, mais se familiariza com a grafia correta das palavras. Preste atenção à forma como as palavras são escritas em livros, jornais e artigos confiáveis.
  • Escreva com frequência: A prática da escrita ajuda a fixar a ortografia. Escreva e-mails, resumos, redações.
  • Revise sempre: Após escrever, reserve um tempo para reler seu texto com atenção. Verifique cada palavra. Se possível, peça para outra pessoa revisar.
  • Consulte o dicionário: Tenha um bom dicionário (físico ou online) sempre à mão. Na dúvida sobre a grafia de uma palavra, consulte-o.
  • Anote suas dúvidas: Crie uma lista das palavras que você costuma escrever errado e revise-a periodicamente.
  • Entenda as regras: Estude as regras de ortografia, especialmente aquelas que causam mais confusão, como o uso de “s”/”z”, “g”/”j”, “x”/”ch”, e as regras de acentuação.
  • Preste atenção ao contexto: Analise a classe gramatical da palavra e seu significado dentro da frase. Isso ajuda a decidir entre termos como “mas”/”mais” ou “onde”/”aonde”.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2022)

Uma das principais dificuldades na comunicação escrita reside na adequação vocabulário e à norma culta da língua. Muitas vezes, o falante, acostumado a uma linguagem mais informal, comete deslizes que comprometem a clareza e a credibilidade de sua mensagem. Um exemplo clássico é a confusão entre palavras homófonas ou parônimas que, apesar de soarem de forma semelhante, possuem grafias e significados distintos. A persistência desses equívocos pode impactar negativamente a imagem do comunicador e a compreensão do texto.

Em relação ao emprego de termos com pronúncia e grafia parecidas, a frase em que o uso de um dos pares está correto é:

  • a) Ele agiu de forma mau-educada, o que lhe custou caro.
  • b) Quero comprar mas livros para a biblioteca.
  • c) Aonde você foi que não te encontrei mais?
  • d) O resultado do jogo saiu a pouco.
  • e) Não vim por que estava muito cansado.

Resposta: Alternativa e: O uso de “por que” no final de uma frase interrogativa é incorreto; o correto seria “por quê”. Já “por que” no início de uma frase explicativa com o sentido de “pois” é igualmente incorreto, devendo ser “porque”. A alternativa “e” utiliza “por que” (em forma de pergunta indireta, pois a oração principal é “Não vim”) com o sentido de “pelo qual”, que está correto nesse contexto, ou, mais comumente interpretado, como o uso padrão de “por que” em perguntas indiretas. No entanto, analisando as outras opções, a alternativa “e” é a única que apresenta uma estrutura com possibilidade de correção. Correção para a alternativa “e” com a intenção mais provável de pergunta indireta: “Não vim saber por que você está atrasado.” ou para resposta: “Não vim porque estava muito cansado.” A questão em si está mal formulada, pois todas as alternativas apresentam erros ou ambiguidades significativas. A intenção provável seria encontrar a menos errada ou a que um erro pode ser justificado. Revisando, a alternativa “e” com “por que” no início de uma pergunta indireta é aceitável.

2. (COMENTÁRIO – ADAPTADO)

Atenção à distinção entre vocábulos que geram dúvidas frequentes na escrita. A escolha correta da grafia é essencial para a clareza e a correção gramatical.

Assinale a alternativa em que os pares de palavras foram empregados corretamente:

  • a) Ele está passando por um mau momento, mas pensa em seguir em frente.
  • b) Preciso de mais tempo para terminar o trabalho.
  • c) Onde você pretende chegar com essa atitude?
  • d) A dois anos ele tenta essa vaga.
  • e) Seção de filmes está localizada no terceiro andar.

Resposta: Alternativa a: A alternativa “a” está correta. “Mau” é um adjetivo e está corretamente empregado antes do substantivo “momento”. “Mas” é uma conjunção adversativa, corretamente usada para indicar oposição. Na alternativa “b”, “mais” está correto, pois indica quantidade. Na “c”, “Onde” deveria ser “Aonde”, pois o verbo “chegar” pede preposição “a”. Na “d”, “A” deveria ser “Há”, indicando tempo decorrido. Na “e”, “Seção” (divisão) deveria ser “Sessão” (período).

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