Conjunção: Tipos e Exemplos que Você Precisa Conhecer

Língua Portuguesa

Conjunção: tipos e exemplos

As conjunções são palavras ou expressões que ligam duas orações ou dois termos de mesma função sintática, estabelecendo uma relação de coordenação ou subordinação entre eles. Elas são essenciais para a coesão e a clareza textual, permitindo que ideias sejam conectadas de forma lógica e fluida.

Sem as conjunções, a comunicação se tornaria fragmentada e confusa. Compreender seus tipos e funções é fundamental para quem deseja aprimorar a escrita e a interpretação de textos, especialmente em contextos acadêmicos e em provas como o ENEM.

Este artigo detalhará os tipos de conjunções, suas classificações e apresentará exemplos práticos para facilitar o aprendizado.

O que são Conjunções?

Conjunções são, em essência, “pontes” que unem partes de um discurso. Elas podem conectar frases independentes (orações coordenadas) ou ligar uma oração principal a uma oração subordinada, que complementa o sentido da primeira. A escolha correta da conjunção impacta diretamente o sentido transmitido.

Essas palavras invariáveis são cruciais para a construção de períodos compostos, permitindo expressar relações de adição, oposição, causa, consequência, finalidade, entre outras. Dominar seu uso é um passo importante para a excelência gramatical.

Classificação das Conjunções

As conjunções são classificadas principalmente em dois grandes grupos: conjunções coordenativas e conjunções subordinativas. Essa divisão se baseia no tipo de relação que elas estabelecem entre as orações ou termos que conectam.

A distinção entre esses dois tipos é crucial para a análise sintática e para a compreensão da estrutura das frases complexas. Cada grupo possui subclasses com funções específicas.

Conjunções Coordenativas

As conjunções coordenativas ligam orações independentes (ou seja, que poderiam existir sozinhas) ou termos de mesma função sintática. Elas não criam uma relação de dependência entre as ideias, mas sim de acréscimo, oposição, explicação, etc.

Existem cinco tipos principais de conjunções coordenativas, cada uma expressando uma relação semântica particular.

Conjunções Coordenativas Aditivas

Indicam adição, soma de ideias.

  • E: O mais comum, utilizado para somar informações.
  • Nem: Usado em orações negativas, equivalendo a “e não”.
  • Mas também, como também, bem como: Expressam adição de forma mais enfática.

Exemplo:

Estudei para a prova e tirei uma boa nota.
Ele não veio nem mandou recado.
Ela gosta de ler, bem como de assistir a filmes.

Conjunções Coordenativas Adversativas

Expressam oposição, contraste ou ressalva entre as ideias.

  • Mas: A mais utilizada, indica oposição.
  • Porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto: Sinônimos de “mas”, com diferentes graus de formalidade.
  • Apesar disso, ainda assim: Indicam ressalva.

Exemplo:

Queria ir à festa, mas estava muito cansado.
Ele é inteligente, porém preguiçoso.
Estudei bastante; entretanto, não me senti seguro.

Conjunções Coordenativas Alternativas

Indicam alternância, escolha ou exclusão de ideias.

  • Ou: Indica alternância. Pode ser repetida para reforçar a ideia de escolha.
  • Ora… ora, quer… quer, seja… seja: Indicam alternância ou variação.

Exemplo:

Ou você estuda, ou ficará de recuperação.
Ora chove, ora faz sol.
Quer vá ao cinema, quer fique em casa, o importante é descansar.

Conjunções Coordenativas Explicativas

Apresentam uma explicação, motivo ou justificativa para a oração anterior. Geralmente, são usadas com o verbo no imperativo.

  • Que: Usado após uma oração principal.
  • Porque, pois (antes do verbo): Indicam a razão.
  • Ora: Indica uma explicação ou raciocínio.

Exemplo:

Não se atrase, que o filme vai começar!
Venha logo, porque estamos esperando.
Calem-se, pois é preciso silêncio.

Conjunções Coordenativas Conclusivas

Indicam uma conclusão ou consequência em relação à oração anterior.

  • Logo: Indica conclusão.
  • Portanto, por isso, assim: Também expressam conclusão.
  • Pois (depois do verbo): Indica conclusão.

Exemplo:

Estudei muito, logo, fui aprovado.
Você se esforçou, portanto, merece o sucesso.
Ele falou muito, mas, não disse nada de útil.

Conjunções Subordinativas

As conjunções subordinativas ligam uma oração principal a uma oração subordinada, estabelecendo uma relação de dependência. A oração subordinada não tem sentido completo sozinha e complementa ou modifica o sentido da oração principal.

Existem dez tipos de conjunções subordinativas integrantes e adverbiais.

Conjunções Subordinativas Integrantes

Introduzem orações subordinadas substantivas, que funcionam como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto de uma oração principal.

  • Que: A mais comum.
  • Se: Usada em casos de orações com sentido de condição ou dúvida.

Exemplo:

Espero que você venha à reunião. (Oração subordinada substantiva objetiva direta)
Não sei se ele virá amanhã. (Oração subordinada substantiva objetiva direta)

Conjunções Subordinativas Adverbiais

Introduzem orações subordinadas adverbiais, que funcionam como adjunto adverbial da oração principal, expressando uma circunstância. São divididas em dez tipos:

1. Concessivas

Indicam uma concessão, um fato que não impede a ocorrência do outro.

  • Embora, ainda que, mesmo que, conquanto, apesar de que, se bem que.

Exemplo:

Embora estivesse doente, foi trabalhar.
Chegou tarde, ainda que tenha saído cedo.

2. Condicionais

Expressam uma condição ou hipótese para a realização da oração principal.

  • Se, caso, contanto que, desde que, a menos que.

Exemplo:

Se chover, não irei ao parque.
Casos precise de ajuda, me chame.

3. Conformativas

Indicam conformidade com o que é dito na oração principal.

  • Conforme, segundo, como, de acordo com.

Exemplo:

Fez o trabalho conforme as instruções.
Agiu como lhe foi dito.

4. Causais

Expressam a causa ou o motivo do que é dito na oração principal.

  • Porque, pois (antes do verbo), como (no início da frase), já que, visto que, uma vez que.

Exemplo:

Não fui à festa porque estava doente.
Como estava chovendo, ficamos em casa.

5. Finais

Indicam a finalidade ou o objetivo da oração principal.

  • Para que, a fim de que, porque (no sentido de finalidade).

Exemplo:

Estudo muito para que passe no vestibular.
Agiu com cautela, a fim de que não fosse descoberto.

6. Proporcionais

Expressam uma relação de proporção ou simultaneidade entre as ações.

  • À medida que, à proporção que, quanto mais… mais, quanto menos… menos.

Exemplo:

À medida que estudava, compreendia melhor a matéria.
Quanto mais estudo, mais aprendo.

7. Temporais

Indicam o tempo em que ocorre a ação da oração principal.

  • Quando, enquanto, antes que, depois que, assim que, sempre que.

Exemplo:

Cheguei quando a aula já tinha começado.
Estude sempre que tiver oportunidade.

8. Comparativas

Estabelecem uma comparação entre os termos das orações.

  • Como, assim como, tal qual, mais que, menos que.

Exemplo:

Ele é esperto como uma raposa.
Estudei mais que você.

9. Consecutivas

Expressam a consequência do que é dito na oração principal. Geralmente, aparecem com os termos “tal”, “tanto”, “tão”, “tamanho” na oração principal.

  • Que (precedido de tal, tanto, tão, tamanho), de modo que, de sorte que.

Exemplo:

Estava tão cansado que dormiu imediatamente.
Chegou tarde, de modo que perdeu o início do filme.

10. Integrantes

Introduzem orações subordinadas substantivas.

  • Que
  • Se

Exemplo:

Diga-me que horas são.
Não sei se ele virá.

Tabela Resumo das Conjunções Coordenativas

Tipo Conjunções
Aditivas e, nem, mas também, como também, bem como
Adversativas mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto
Alternativas ou, ora… ora, quer… quer, seja… seja
Explicativas que, porque, pois (antes do verbo)
Conclusivas logo, portanto, por isso, assim, pois (depois do verbo)

Tabela Resumo das Conjunções Subordinativas Adverbiais

Tipo Conjunções
Concessivas embora, ainda que, mesmo que, conquanto, apesar de que
Condicionais se, caso, contanto que, desde que, a menos que
Conformativas conforme, segundo, como, de acordo com
Causais porque, pois (antes do verbo), como, já que, visto que, uma vez que
Finais para que, a fim de que, porque (finalidade)
Proporcionais à medida que, à proporção que, quanto mais… mais, quanto menos… menos
Temporais quando, enquanto, antes que, depois que, assim que, sempre que
Comparativas como, assim como, tal qual, mais que, menos que
Consecutivas que (precedido de tão, tanto, tal, tamanho), de modo que, de sorte que

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM 2022)

O amor é o ópio do povo. As relações amorosas, para a mulher, funcionam como um elemento de repressão e alienação. No casamento, o marido é um deus, mas é o deus do Estado, é o deus da propriedade. A mulher é obrigada a aceitar a mulher que ela é. A consciência desse estado de coisas, a consciência da alienação, é o primeiro passo para a sua superação.

O fragmento acima apresenta uma análise crítica das relações amorosas e do casamento. A conjunção “mas” no trecho “O amor é o ópio do povo. As relações amorosas, para a mulher, funcionam como um elemento de repressão e alienação. No casamento, o marido é um deus, mas é o deus do Estado, é o deus da propriedade.” estabelece uma relação de:

  • a) Adição
  • b) Conclusão
  • c) Explicação
  • d) Oposição
  • e) Alternância

Resposta: Alternativa d: A conjunção “mas” introduz uma ideia que se contrapõe à anterior, indicando oposição.

2. (Vestibular Unicamp 2023)

O problema não é mais o aquecimento global, mas sim as consequências dele. Estamos em um momento crítico, onde cada decisão conta para o futuro do planeta. A ciência nos alerta, contudo a ação coletiva ainda é lenta.

As conjunções destacadas no texto estabelecem, respectivamente, as seguintes relações:

  • a) Aditiva; Temporal; Concessiva
  • b) Oposição; Espacial; Conclusiva
  • c) Oposição; Aditiva; Adversativa
  • d) Oposição; Temporal; Adversativa
  • e) Causal; Conformativa; Conclusiva

Resposta: Alternativa d: A conjunção “mas” indica oposição. “Onde” introduz uma oração que se refere a um momento crítico, funcionando temporalmente no contexto. “Contudo” expressa uma oposição ou ressalva.

3. (ENEM 2021)

É preciso ter cuidado com a vida.

É preciso ter cuidado com o que temos.

É preciso ter cuidado com o que dizemos.

O modo de ser e o que temos e o que dizemos.

É preciso ter cuidado com o que pensamos.

Nesse poema, a repetição da locução “É preciso ter cuidado com” e a ausência de conjunções estabelecem uma relação de:

  • a) Causalidade entre as ações.
  • b) Paralelismo e consequência temporal.
  • c) Alternância entre os deveres.
  • d) Adição, intensificando a ideia de dever.
  • e) Explicação da forma de cuidado.

Resposta: Alternativa d: A repetição e a ausência de conjunções conectivas entre as ideias criam uma série de deveres ou ações que se somam, intensificando a noção de “cuidado” como um dever abrangente. A estrutura paralelística reforça essa adição.

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