Como separar orações no texto
Separar orações em um texto é fundamental para a compreensão da estrutura da língua portuguesa e para a construção de frases mais claras e coesas. Essencialmente, uma oração é definida pela presença de um verbo. Identificar essas unidades verbais é o primeiro passo para desvendar a organização de um período, seja ele simples ou composto.
Ao analisar um texto, percebemos que as ideias são encadeadas por meio de orações. A habilidade de distinguir essas orações permite uma interpretação mais precisa do significado pretendido pelo autor, além de aprimorar a própria capacidade de escrita. Compreender como elas se relacionam — se de forma coordenada ou subordinada — é a chave para dominar a arte da sintaxe.
Dominar a separação de orações é um conhecimento valioso para estudantes, vestibulandos e qualquer pessoa que deseje aprimorar sua comunicação escrita. É uma ferramenta poderosa que auxilia na interpretação de textos complexos, na redação de trabalhos escolares e na preparação para exames como o ENEM, onde a compreensão da estrutura textual é frequentemente avaliada.
O que é uma Oração?
Uma oração é a unidade básica da sintaxe que contém um verbo ou locução verbal. Ela expressa um pensamento completo ou uma parte de um pensamento. A presença do verbo é o elemento central que caracteriza a oração, sendo o núcleo de sua estrutura.
Por exemplo, na frase “O sol brilha”, temos uma oração, pois “brilha” é o verbo. Em “O menino estava correndo no parque”, temos a locução verbal “estava correndo”, que também forma uma oração. Mesmo frases curtas que contêm apenas um verbo são consideradas orações.
É importante distinguir oração de frase. Uma frase pode não conter um verbo (ex: “Que dia lindo!”), mas uma oração SEMPRE terá um verbo. A oração é o elemento estrutural onde a análise sintática se aprofunda.
Identificando o Verbo: A Chave para Separar Orações
A forma mais segura e eficaz de identificar e separar orações em um texto é localizar todos os verbos ou locuções verbais presentes. Cada verbo encontrado geralmente marca o início de uma nova oração.
Considere a frase: “O aluno estudou muito e passou no vestibular.” Aqui, identificamos dois verbos: “estudou” e “passou”. Portanto, temos duas orações: “O aluno estudou muito” e “passou no vestibular”. A conjunção “e” as une, caracterizando uma coordenação.
Em “Quando o dia amanhecer, todos sairão”, encontramos os verbos “amanhecer” e “sairão”. Isso nos indica duas orações: “Quando o dia amanhecer” e “todos sairão”. Neste caso, a primeira oração é subordinada à segunda, introduzida pela conjunção “quando”.
Período Simples e Período Composto
A quantidade de orações em um enunciado define se ele é um período simples ou composto. Essa distinção é crucial para entender a estrutura e separar as ideias de forma lógica.
Período Simples
Um período simples é constituído por apenas uma oração. Ele contém um único verbo ou locução verbal. A frase expressa uma ideia completa em sua forma mais básica.
O pássaro cantou feliz na janela.
Neste exemplo, o verbo é “cantou”. Há apenas um verbo, logo, trata-se de um período simples com uma única oração.
Período Composto
Um período composto é formado por duas ou mais orações. Isso significa que ele contém dois ou mais verbos ou locuções verbais. As orações em um período composto podem se relacionar de duas maneiras principais: por coordenação ou por subordinação.
O sol se pôs e as estrelas começaram a brilhar no céu escuro.
Nesta frase, identificamos os verbos “pôs” e “começaram”. Portanto, temos duas orações: “O sol se pôs” e “as estrelas começaram a brilhar no céu escuro”. A conjunção “e” as liga, caracterizando um período composto por coordenação.
Orações Coordenadas e Subordinadas
A relação entre as orações em um período composto é o que determina se elas são coordenadas ou subordinadas. Essa distinção é fundamental para a análise sintática.
Orações Coordenadas
Orações coordenadas são aquelas que possuem independência sintática entre si. Uma não depende da outra para ter sentido completo. Elas são ligadas por conjunções coordenativas (como “e”, “mas”, “ou”, “portanto”, “logo”) ou podem aparecer separadas por vírgula, ponto e vírgula ou ponto final (orações assindéticas).
Eu fui ao mercado, mas não encontrei o que procurava.
Aqui, temos duas orações: “Eu fui ao mercado” e “não encontrei o que procurava”. A conjunção “mas” estabelece uma relação de oposição entre elas, mas ambas poderiam existir isoladamente.
Orações Subordinadas
Orações subordinadas dependem sintaticamente de outra oração, chamada de oração principal. Elas exercem uma função sintática (sujeito, objeto, adjunto, etc.) em relação à oração principal. São introduzidas por conjunções subordinativas (como “que”, “se”, “quando”, “porque”, “embora”) ou por pronomes relativos.
O livro que comprei é muito interessante.
Neste caso, “O livro é muito interessante” é a oração principal. A oração “que comprei” é subordinada e funciona como adjunto adnominal de “livro”, indicando qual livro é interessante. Sem a oração principal, a subordinada perde grande parte do seu sentido no contexto.
Dicas Práticas para Separar Orações
Para aplicar o conhecimento de separação de orações em seus textos e na interpretação de outros, siga estas dicas:
- Localize os Verbos: Circule ou sublinhe todos os verbos e locuções verbais que encontrar. Cada um é um ponto de partida para uma oração.
- Identifique as Conjunções: Preste atenção às conjunções (coordenativas e subordinativas) e aos pronomes relativos. Eles costumam indicar a ligação entre as orações e o tipo de relação que estabelecem.
- Analise a Independência: Pergunte-se se uma oração faz sentido completa por si só ou se ela depende de outra para ser entendida. Orações independentes são coordenadas; dependentes são subordinadas.
- Use Pontuação como Guia: Vírgulas, ponto e vírgulas e pontos finais frequentemente marcam o fim de uma oração e o início de outra, especialmente em orações coordenadas sem conjunção ou ao final de períodos.
Exemplo Prático de Análise:
“O professor explicou a matéria com clareza, de modo que todos os alunos entenderam o conteúdo que ele apresentou.”
- Verbos: “explicou”, “entenderam”, “apresentou”. São 3 verbos, indicando 3 orações.
- Conjunções: “de modo que” (subordinativa integrante/conformativa), “que” (pronome relativo).
- Separação:
- Oração 1: “O professor explicou a matéria com clareza” (Oração Principal)
- Oração 2: “de modo que todos os alunos entenderam o conteúdo” (Oração Subordinada Adverbial Final/Conformativa)
- Oração 3: “que ele apresentou” (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva, referindo-se a “conteúdo”)
Portanto, temos um período composto por subordinação, com uma oração principal e duas subordinadas.
Exercícios com Gabarito
1. (ENEM 2022)
A cidade era um caos. As pessoas corriam de um lado para outro, procurando abrigo. O céu, que antes estava azul, agora se tingia de cinza. Era o prenúncio de uma tempestade terrível.
Quantas orações existem no trecho acima?
- a) 4
- b) 5
- c) 6
- d) 7
- e) 8
Resposta: Alternativa c: As orações são: “A cidade era um caos”, “As pessoas corriam de um lado para outro”, “procurando abrigo” (oração reduzida de gerúndio, com verbo implícito em “procurar”), “O céu se tingia de cinza”, “que antes estava azul” (oração subordinada adjetiva restritiva, referindo-se a “céu”) e “Era o prenúncio de uma tempestade terrível”.
Exercício 2
2. (Vestibular 2023)
Considerando a estrutura sintática do período, assinale a alternativa que identifica corretamente a relação entre as orações em: “Embora tenha estudado bastante, ele não se sentiu preparado para a prova, pois sabia que o nível de dificuldade seria alto.”
- a) A primeira oração é coordenada, e a segunda é subordinada.
- b) As duas orações são coordenadas entre si.
- c) A primeira oração é subordinada, e a segunda é subordinada à primeira.
- d) A primeira oração é subordinada, e a segunda é coordenada à oração principal implícita.
- e) A primeira oração é subordinada adverbial concessiva, e a segunda é subordinada adverbial causal.
Resposta: Alternativa e: A oração “Embora tenha estudado bastante” é uma subordinada adverbial concessiva (introduzida por “embora”). A oração “ele não se sentiu preparado para a prova” é a oração principal. A oração “pois sabia que o nível de dificuldade seria alto” é uma subordinada adverbial causal em relação à oração principal, e dentro dela, “que o nível de dificuldade seria alto” é uma subordinada substantiva objetiva direta. No entanto, focando na relação principal e consecutiva, a alternativa ‘e’ é a mais precisa.