Como estudar filosofia para o ENEM: dicas essenciais para passar

Ciências Humanas e Sociais Aplicadas

Como estudar filosofia para o ENEM

Estudar filosofia para o ENEM é essencial para compreender as questões de Ciências Humanas e suas tecnologias, que exigem interpretação crítica e contextualização histórica.

A filosofia no ENEM não se limita a decorar nomes e obras; ela exige a capacidade de articular pensamentos, analisar argumentos e relacionar ideias filosóficas a problemas contemporâneos.

Dominar os conceitos filosóficos permite ao estudante desenvolver um senso crítico apurado, fundamental não apenas para a prova mas também para a vida acadêmica e social.

Características da Filosofia no ENEM

A prova de filosofia no ENEM possui características específicas que o estudante deve conhecer para uma preparação eficiente. Ela foca na capacidade de leitura, interpretação e aplicação dos conceitos.

As principais características são:

  • Contextualização histórica: Compreensão dos filósofos e movimentos em seus respectivos períodos.
  • Interpretação de textos: Análise de excertos de obras filosóficas ou de comentários sobre elas.
  • Relação com tema contemporâneo: Aplicação das ideias filosóficas para entender problemas atuais.
  • Transversalidade: Conexão com outras áreas do conhecimento, como sociologia, história e literatura.
  • Argumentação e crítica: Avaliação de argumentos e desenvolvimento de posicionamento crítico.

Estrutura da Abordagem no ENEM

A forma como a filosofia é abordada no ENEM segue um padrão que valoriza a compreensão profunda e não apenas a memorização. Geralmente, as questões apresentam um texto base seguido de alternativas.

A estrutura das questões de filosofia no ENEM é composta por:

  • Texto-base: Geralmente um fragmento de obra filosófica, artigo ou análise sobre determinado pensamento.
  • Comando da questão: Solicita a identificação de conceitos, a relação entre ideias, a contextualização ou a aplicação do pensamento.
  • Alternativas: Cinco opções, sendo uma delas a correta, que melhor se alinha com o texto e o comando.

Tipos de Conteúdo e Filósofos

Para estudar filosofia para o ENEM, é crucial conhecer os principais eixos temáticos e os filósofos mais recorrentes. É comum que o exame aborde pensadores e correntes que discutem questões éticas, políticas, epistemológicas e metafísicas.

Antiguidade Clássica

A filosofia clássica grega estabelece muitas das bases do pensamento ocidental, com foco na ética, política e metafísica.

Filósofos-chave:

  • Pré-socráticos: Buscavam o arché (princípio de tudo).
  • Sócrates: Método da maiêutica e valorização do autoconhecimento (“Conhece-te a ti mesmo”).
  • Platão: Teoria das Ideias (mundo sensível vs. mundo inteligível), Alegoria da Caverna.
  • Aristóteles: Ética a Nicômaco (busca pela felicidade e virtude), lógica e metafísica.

Exemplo:

“Em primeiro lugar, em nossa concepção, a cidade ideal só será uma realidade se os reis forem filósofos ou se os filósofos forem reis.”

(Platão, A República)

Filosofia Medieval

Caracterizada pela forte influência do cristianismo e pela busca da conciliação entre fé e razão.

Filósofos-chave:

  • Agostinho de Hipona: Livre-arbítrio, predestinação, fé e razão.
  • Tomás de Aquino: Cinco vias para provar a existência de Deus, conciliação de Aristóteles com o cristianismo.

Filosofia Moderna

Marcada pela virada antropocêntrica, pelo desenvolvimento do método científico e pela ascensão do pensamento racionalista e empirista.

Filósofos-chave:

  • René Descartes: Racionalismo, “Penso, logo existo”, dúvida metódica.
  • John Locke: Empirismo, tabula rasa, contrato social, direitos naturais.
  • Thomas Hobbes: Contrato social, estado de natureza, Leviatã.
  • Jean-Jacques Rousseau: Contrato social, vontade geral, bondade natural do homem.
  • Immanuel Kant: Criticismo, ética do dever, imperativo categórico.

Exemplo:

“Duas coisas enchem o ânimo de admiração e respeito, sempre novos e crescentes, quanto mais frequentemente e com mais firmeza o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim.”

(Immanuel Kant, Crítica da Razão Prática)

Filosofia Contemporânea

Abrange movimentos e pensadores do século XIX e XX, questionando as grandes narrativas e focando na existência, linguagem, poder e sociedade.

Filósofos-chave:

  • Karl Marx: Crítica ao capitalismo, luta de classes, materialismo histórico.
  • Friedrich Nietzsche: Crítica à moral cristã e valores ocidentais, vontade de potência.
  • Michel Foucault: Relações entre saber e poder, disciplina, instituições.
  • Hannah Arendt: Totalitarismo, condição humana, esfera pública e privada.
  • Jürgen Habermas: Ação comunicativa, esfera pública.
  • Zygmunt Bauman: Modernidade líquida, relações sociais efêmeras.

Dicas Essenciais para Estudar Filosofia para o ENEM

Estudar filosofia para o ENEM exige mais do que apenas ler sobre os filósofos. É preciso desenvolver um método que priorize a compreensão e a capacidade de análise crítica.

Aspecto Dica
Leitura Ativa Grife, faça anotações, resuma o texto com suas próprias palavras.
Fichamentos Crie fichas para cada filósofo, destacando conceitos-chave e obras.
Mapas Mentais Organize as ideias em diagramas, conectando filósofos e seus conceitos.
Contextualização Entenda o período histórico e o contexto social em que cada filósofo viveu.
Exercícios Resolva muitas questões de ENEM e vestibulares anteriores para se familiarizar com o formato.
Redação Utilize conceitos filosóficos na redação para enriquecer a argumentação.

Exercícios com Gabarito

Para fixar o conteúdo e entender como a filosofia é cobrada no ENEM, resolva as questões a seguir.

1. (ENEM-2022)

TEXTO I
“Conheço uma só liberdade, e essa é a liberdade do pensamento.”
MACHADO DE ASSIS. Quincas Borba. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 18 ago. 2021.

TEXTO II
A liberdade de pensamento e de expressão é um pilar de qualquer sociedade democrática, essencial para a formação de uma cidadania crítica e participante. Sem ela, a circulação de ideias e o debate público ficam comprometidos, fragilizando a democracia.
BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 18 ago. 2021.

Apesar da diferença temporal, verifica-se que o conceito de liberdade, presente nos dois textos, está posto como

  • a) um direito inalienável do indivíduo, que se manifesta na capacidade de expressar ideias sem censura.
  • b) uma condição natural do ser humano, que se traduz na autonomia para realizar suas escolhas.
  • c) uma prerrogativa do Estado, que se apresenta como guardião da pluralidade de pensamentos.
  • d) um ideal universal, que se revela na capacidade de superar preconceitos e dogmas.
  • e) uma construção social, que se revela na busca por consensos e valores comuns.

Resposta: Alternativa a: O Texto I de Machado de Assis e o Texto II (Lei nº 12.965) convergem ao apresentar a liberdade de pensamento e expressão como um elemento crucial para a manifestação individual e para o funcionamento democrático, ambos sem a intervenção de censuras ou impedimentos.

2. (ENEM-2018)

“Para um homem ser feliz, há que ter um bom nascimento, uma boa criação e ser bem instruído. Ora, se o homem não puder ser feliz, nem um Estado bem governado, na verdade parece que a virtude não é uma coisa para a qual se nasça nem para a qual se seja instruído, mas que se produza em nós pela lei divina, sem o auxílio da fortuna.”
PLUTARCO. Moralia. Disponível em: www.perseus.tufts.edu. Acesso em: 13 dez. 2017 (adaptado).

O texto de Plutarco, apesar de sua antiguidade, apresenta ideias que remetem à discussão acerca do determinismo e do livre-arbítrio. Para ele, a virtude é:

  • a) um dom divino, concedido a poucos, que independe de esforço individual.
  • b) o resultado de uma criação cuidadosa e de uma educação privilegiada.
  • c) a consequência de uma predisposição inata e de um ambiente favorável ao seu desenvolvimento.
  • d) a manifestação de uma lei natural, que se revela na escolha do bem e da justiça.
  • e) uma aquisição humana, que demanda esforço, instrução e o suporte de um destino favorável.

Resposta: Alternativa a: O texto de Plutarco sugere que a virtude não é algo inato ou adquirido por instrução, mas “se produza em nós pela lei divina, sem o auxílio da fortuna”, indicando que é um dom de origem divina que independe diretamente de fatores humanos de esforço ou sorte.

Super desconto só aqui em Centro de Estudos Online