Mitologia e constelações: Segredos das estrelas revelados

Ciências da Natureza

Mitologia e constelações

A mitologia e constelações estão intrinsecamente ligadas, representando um dos primeiros e mais duradouros esforços humanos para compreender o cosmos e o seu lugar nele. As constelações são agrupamentos de estrelas que, aos olhos dos observadores terrestres, formam padrões ou figuras no céu. Embora essas agrupamentos sejam aparências e as estrelas que as compõem estejam muitas vezes a distâncias vastíssimas umas das outras, foram as histórias e lendas que deram vida e significado a esses traçados celestes.

Muitas das constelações que conhecemos hoje foram nomeadas e descritas pelos antigos gregos, mas diversas outras civilizações ao redor do mundo, como os egípcios, babilônios, chineses e os povos indígenas das Américas, também desenvolveram seus próprios sistemas de constelações e mitologias correspondentes. Essas narrativas, transmitidas por gerações, ajudaram a organizar o céu, servindo como calendários, guias de navegação e espelhos das crenças e valores de cada cultura.

O estudo da relação entre mitologia e constelações é fascinante para vestibulandos e estudantes, pois conecta astronomia com história, literatura e antropologia, mostrando como o olhar humano sempre buscou sentido no mistério do universo. Compreender essas histórias pode enriquecer a percepção do céu noturno e oferecer uma nova perspectiva sobre a forma como a ciência e a cultura se entrelaçam.

Características da mitologia zodiacal

A mitologia zodiacal, embora não abranja todas as constelações, é um subconjunto importante que reflete diretamente as histórias mitológicas por trás dos 12 signos do zodíaco. Estas constelações são especiais porque marcam o caminho aparente do Sol no céu ao longo do ano.

As principais características da mitologia zodiacal são:

  • Conexão com deuses e heróis: Cada constelação zodiacal geralmente está associada a uma figura mitológica, como um deus, heroína ou animal sagrado, frequentemente ligada a feitos heroicos ou punições divinas.
  • Ciclo anual: As histórias zodiacais se desenrolam em um ciclo anual, ditando as estações e influenciando as colheitas e festividades de algumas culturas, refletindo a jornada do Sol.
  • Universalidade: Embora as constelações gregas sejam as mais conhecidas no ocidente, outras culturas também possuíam seus próprios cinturões celestes com significados semelhantes.
  • Simbolismo astrológico: Além da astronomia, a mitologia zodiacal formou a base para a astrologia, onde cada signo é associado a traços de personalidade e previsões de destino.
  • Diversidade de mitos: Várias culturas atribuíram diferentes mitos e lendas às mesmas constelações ou agrupamentos de estrelas, evidenciando a riqueza da imaginação humana.

Estrutura das constelações zodiacais

As constelações zodiacais são um tipo específico de constelação que se encontram ao longo da eclíptica, que é o caminho aparente do Sol no céu ao longo de um ano. Esta “estrutura” celestial é dividida em doze partes, cada uma correspondendo a um signo astrológico, embora as constelações astronômicas não coincidam perfeitamente com as datas astrológicas.

A estrutura das constelações zodiacais é composta por:

  • Eclíptica: O círculo máximo na esfera celeste que representa a trajetória aparente anual do Sol. É nessa faixa que as constelações zodiacais se situam.
  • Número de Constelações: Tradicionalmente, são 12 constelações principais do zodíaco, mas a Via Láctea como um todo abrigam mais de 88 constelações oficiais identificadas pela União Astronômica Internacional (IAU).
  • Período de Visibilidade: Cada constelação zodiacal é visível em diferentes épocas do ano, dependendo da posição da Terra em sua órbita em torno do Sol.
  • Agrupamentos Estelares: Embora as constelações modernas tenham limites bem definidos, na antiguidade, elas eram apenas agrupamentos de estrelas brilhantes que formavam um “desenho” imaginário.
  • Padrões de Identificação: Os nomes e padrões das constelações foram estabelecidos a partir de semelhanças percebidas com animais, pessoas ou objetos, e muitos foram herdados de civilizações antigas como os babilônios e gregos.

Tipos de constelações e suas mitologias

As constelações não se limitam apenas ao zodíaco; existem muitas outras que adornam o céu e possuem ricas histórias mitológicas. Ao todo, a União Astronômica Internacional (UAI) reconhece 88 constelações oficiais.

Os principais tipos de constelações com suas mitologias são:

Constelações Zodiacais

São as doze constelações que se encontram ao longo do caminho aparente do Sol na esfera celeste (a eclíptica). Cada uma é associada a um signo astrológico e a lendas específicas, muitas delas derivadas da mitologia grega.

Exemplo:

Leão: Na mitologia grega, a constelação de Leão representa o Leão de Nemeia, uma criatura invulnerável cuja pele não podia ser perfurada por armas. Hércules, como parte de seus Doze Trabalhos, foi encarregado de matar o leão, o que ele fez estrangulando-o. Zeus então colocou o leão entre as estrelas para comemorar a proeza de seu filho.

Constelações Circumpolares

São aquelas que nunca se põem e são sempre visíveis no céu noturno em latitudes médias a altas, girando em torno do polo celeste. As mais conhecidas são as da Ursa Maior e Ursa Menor.

Exemplo:

Ursa Maior (Grande Ursa): Na mitologia grega, a Ursa Maior é associada a Calisto, uma ninfa devotada à deusa Ártemis e amante de Zeus. Hera, a ciumenta esposa de Zeus, transformou Calisto em uma ursa como punição. Mais tarde, Zeus a elevou aos céus para protegê-la. Sua companheira, a Ursa Menor, é frequentemente identificada como seu filho, Arcas.

Constelações Equatoriais e Tropicais

Estas constelações estão localizadas em regiões celestes que cruzam ou estão próximas ao equador celeste e aos trópicos, sendo visíveis de muitas partes do mundo.

Exemplo:

Órion (O Caçador): Órion é uma das constelações mais proeminentes e facilmente reconhecíveis no céu de inverno do hemisfério norte (e verão do hemisfério sul). Na mitologia grega, Órion era um caçador gigante e belo, famoso por suas aventuras e habilidades. Existem muitas versões de seu mito, mas uma delas narra sua morte picado por um escorpião gigante (Escorpião, outra constelação), e ambos foram colocados no céu.

Diferença entre constelações e asterismos

Aspecto Constelação Asterismo
Definição Uma área específica e delimitada na esfera celeste, reconhecida internacionalmente pela UAI. Um padrão de estrelas reconhecível, mas que não é uma constelação oficial.
Status Oficialmente definida com fronteiras fixas, cobrindo todo o céu. Padrão informal, pode fazer parte de uma ou mais constelações oficiais.
Exemplo Ursa Maior, Órion, Leão. O Grande Carro (parte da Ursa Maior), o Triângulo de Verão, as Três Marias (parte de Órion).
Representação Uma figura imaginária que ocupa uma região inteira do céu. Uma pequena parte de uma figura, ou uma figura formada por partes de outras.

Exemplo de constelação e sua mitologia: Escorpião

Para compreender melhor a conexão entre mitologia e constelações, vamos analisar o exemplo da constelação de Escorpião.

Exemplo:

A constelação de Escorpião, uma das constelações zodiacais mais antigas, possui uma rica história mitológica, especialmente ligada à figura de Órion, o caçador. Na mitologia grega, Escorpião é o aracnídeo que matou o gigante caçador Órion. Existem diferentes versões do mito: em uma delas, Órion se gabava de poder matar qualquer animal na Terra. Gaia (ou Ártemis, a deusa da caça), furiosa com sua arrogância, enviou um escorpião gigante para matá-lo. O escorpião o picou no calcanhar, uma picada fatal. Após sua morte, Zeus elevou ambos, Órion e o escorpião, aos céus, mas os colocou em lados opostos do céu, de modo que quando um surge, o outro se põe, simbolizando sua eterna perseguição e aversão.

(Mitos Gregos – Órion e Escorpião)

No exemplo acima, podemos identificar a narrativa mítica da rivalidade entre Órion e o Escorpião, que se reflete na disposição das constelações no céu. A mitologia não apenas dá nome a esses agrupamentos estelares, mas também explica seus movimentos e suas relações aparentes. Observar o céu e ver Órion e Escorpião “fugindo” um do outro ao longo do ano é presenciar a mitologia em ação.

Exercícios com Gabarito

1. (ENEM-2022)

Os povos antigos, ao observar o céu noturno, criaram diversas histórias e lendas para explicar a origem e o significado dos padrões estelares. Essas narrativas não apenas serviam a propósitos religiosos ou sociais, mas também auxiliavam na navegação e na medição do tempo. A relação entre essas histórias e os padrões estelares é conhecida como:

  • a) Astrofísica
  • b) Cosmologia
  • c) Planetologia
  • d) Mitologia e constelações
  • e) Heliocentrismo

Resposta: Alternativa d: A mitologia e constelações representam exatamente essa conexão entre as histórias (mitologia) e os padrões estelares (constelações), que eram fundamentais para os povos antigos.

2. (FUVEST-2021)

A constelação de Órion, visível em boa parte do mundo, é uma das mais conhecidas e possui uma rica mitologia grega. Qual é a principal lenda associada à morte de Órion e à origem da constelação de Escorpião?

  • a) Órion foi transformado em um leão por Zeus e depois colocado no céu.
  • b) Órion foi picado por uma serpente enviada por Hera e se tornou a Via Láctea.
  • c) Órion foi morto por um escorpião gigante enviado por Gaia ou Ártemis, e ambos foram colocados no céu.
  • d) Órion se afogou no mar e foi resgatado por Poseidon, que o transformou em estrelas.
  • e) Órion era um caçador que se perdeu em uma floresta e foi transformado em árvore.

Resposta: Alternativa c: A lenda mais conhecida associa a morte de Órion à picada de um escorpião gigante, e ambos foram elevados aos céus, posicionados em lados opostos para que não se encontrem.

3. (UNESP-2020)

As constelações zodiacais são agrupamentos estelares que se localizam na eclíptica, o caminho aparente do Sol no céu. Qual a importância cultural e histórica dessas constelações para as civilizações antigas?

  • a) Apenas serviam como um guia para a astrologia, sem qualquer função prática.
  • b) Eram usadas para prever a ocorrência de eclipses solares e lunares com alta precisão.
  • c) Auxiliavam na orientação marítima e terrestre, e na organização de calendários agrícolas e rituais.
  • d) Eram observadas apenas por cientistas da época para desenvolver teorias sobre o universo.
  • e) Representavam deuses que se comunicavam diretamente com os humanos através de mensagens estelares.

Resposta: Alternativa c: As constelações zodiacais, assim como outras, tinham grande importância prática para as civilizações antigas, sendo usadas na navegação e na criação de calendários para agricultura e rituais, além de suas conotações mitológicas.

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