Escolas literárias: resumo geral
As escolas literárias, também conhecidas como movimentos literários ou estilos de época, são conjuntos de características estéticas e temáticas que marcam a produção literária de um determinado período histórico e cultural. Elas surgem como respostas e renovações às tendências anteriores, refletindo o contexto social, político e filosófico de sua época.
Estudar as escolas literárias é fundamental para compreender a evolução da literatura, identificar padrões, analisar obras de forma mais profunda e contextualizada, e prepará-lo para questões de vestibulares e ENEM. Cada escola apresenta uma visão de mundo e uma forma particular de expressão que moldaram o panorama literário ao longo dos séculos.
Acompanhar essa trajetória nos permite observar como a arte da palavra se transforma, adaptando-se às mudanças da sociedade e às inquietações humanas, desde as primeiras manifestações até a contemporaneidade.
O que são Escolas Literárias?
Escolas literárias são agrupamentos de autores e obras que compartilham um conjunto de traços estilísticos, temáticos e ideológicos em um dado período histórico. Elas representam uma corrente de pensamento e expressão artística que se distingue das anteriores e que, por sua vez, servirá de base ou ponto de partida para as futuras.
Esses movimentos não surgem de forma isolada, mas como reflexos do espírito de sua época, influenciados por eventos históricos, descobertas científicas, correntes filosóficas e transformações sociais. A literatura, assim, torna-se um espelho da sociedade e do pensamento humano.
A identificação das escolas literárias facilita a organização do estudo, permitindo que o leitor visualize a linha do tempo da produção literária e as continuidades e rupturas entre os diferentes períodos.
Características Gerais das Escolas Literárias
Embora cada escola literária possua suas particularidades, algumas características gerais podem ser observadas na formação e no estudo desses movimentos:
- Contexto Histórico e Social: Cada escola está intrinsecamente ligada ao período em que surge, refletindo os valores, conflitos e ideais da sociedade.
- Estilo e Linguagem: A forma de escrever, o vocabulário utilizado, a estrutura das frases e a escolha dos gêneros literários variam significativamente entre as escolas.
- Temáticas Recorrentes: Certos temas ganham proeminência em cada período, como a religião, a natureza, o amor, a crítica social, a subjetividade, etc.
- Relação com a Escola Anterior: Geralmente, uma nova escola surge como uma reação à anterior, buscando inovar ou resgatar elementos esquecidos.
- Principais Autores e Obras: A consolidação de uma escola é marcada pela produção de autores que se tornam referência e por obras que exemplificam seus preceitos.
Principais Escolas Literárias: Um Resumo
A literatura ocidental, em especial a portuguesa e a brasileira, passou por diversas escolas literárias. Abaixo, um resumo das mais importantes:
Classicismo (Século XV-XVI)
Marcado pelo retorno aos valores da Antiguidade Clássica greco-romana. Busca pela perfeição formal, objetividade, racionalismo e universalismo. O homem é visto como centro do universo (humanismo).
Características:
- Racionalismo e objetividade
- Universalismo e busca pela perfeição formal
- Mitologia clássica
- Linguagem clara e equilibrada
- Versos decassílabos (sonetos)
Principais Autores:
- Português: Luís de Camões
- Brasileiro: Não teve um período classicista próprio; o Barroco foi a primeira escola de destaque.
Barroco (Século XVII)
Surge em um período de crise religiosa e conflitos. Caracteriza-se pelo dualismo, conflito entre fé e razão, o terreno e o divino, o pecado e o perdão. Busca pela expressão intensa de sentimentos e pelo exagero.
Características:
- Dualismo e conflito (fé vs. razão, carne vs. espírito)
- Uso de figuras de linguagem exageradas (hipérbole, antítese)
- Linguagem rebuscada e ornamentada (cultismo e conceptismo)
- Pessimismo e fugacidade da vida
- Temas religiosos e profanos
Principais Autores:
- Português: Padre António Vieira, Francisco Rodrigues Lobo
- Brasileiro: Gregório de Matos, Bento Teixeira
Arcadismo ou Neoclassicismo (Século XVIII)
Reação ao excesso e ao rebuscamento do Barroco. Valorização da razão, da simplicidade, da natureza e da vida bucólica. Influência da cultura greco-romana, com o uso de pseudônimos e temas pastoris.
Características:
- Racionalismo e objetividade
- Valorização da natureza (locus amoenus)
- Simplicidade e clareza na linguagem
- Crítica aos costumes urbanos
- Mitologia clássica
- Uso de pseudônimos pastoris
Principais Autores:
- Português: Bocage, Correia Garrett (transição)
- Brasileiro: Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama
Romantismo (Século XIX)
Movimento de grande liberdade criativa, focado na subjetividade, nos sentimentos, na emoção e na imaginação. Exaltação do eu, nacionalismo, idealização do amor e da mulher, e fuga da realidade (mal do século).
Características:
- Subjetivismo, egocentrismo e individualismo
- Nacionalismo e indianismo (no Brasil)
- Idealização da mulher e do amor
- Pessimismo, melancolia e escapismo
- Liberdade formal
- Ênfase na emoção e na imaginação
Principais Autores:
- Português: Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco
- Brasileiro: Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Castro Alves, José de Alencar
Realismo/Naturalismo (Segunda metade do Século XIX)
Em reação ao idealismo romântico, busca retratar a realidade de forma objetiva e fiel, com foco na análise social e psicológica. O Naturalismo aprofunda essa visão, influenciado pelo determinismo científico, focando nos aspectos mais crus e instintivos do ser humano.
Características (Realismo):
- Objetividade e crítica social
- Verossimilhança e retrato fiel da realidade
- Análise psicológica dos personagens
- Linguagem clara e direta
- Crítica à burguesia e às instituições sociais
Características (Naturalismo):
- Determinismo (o homem é produto do meio, raça e momento)
- Zoomorfismo (comparação do homem com animais)
- Patologias sociais e individuais
- Personagens mais instintivos e menos racionais
- Foco nos aspectos biológicos e fisiológicos
Principais Autores:
- Português: Eça de Queirós
- Brasileiro: Machado de Assis (inicialmente romântico, depois realista), Aluísio Azevedo, Raul Pompeia
Parnasianismo (Final do Século XIX)
Movimento poético que valoriza a forma sobre o conteúdo. Busca pela perfeição formal, objetividade, descritivismo e o uso de uma linguagem culta e precisa. Inspirado na arte pela arte.
Características:
- “Arte pela arte”
- Perfeição formal (versos alexandrinos, sonetos)
- Objetividade e descritivismo
- Linguagem culta e vocabulário preciso
- Temas clássicos, históricos e exóticos
Principais Autores:
- Português: Cesário Verde (transição)
- Brasileiro: Olavo Bilac, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira
Simbolismo (Final do Século XIX – Início do Século XX)
Reação ao objetivismo parnasiano. Ênfase na subjetividade, no mistério, na espiritualidade e no inconsciente. Uso de símbolos para expressar ideias e sensações, com uma linguagem mais musical e vaga.
Características:
- Subjetividade e espiritualidade
- Uso de símbolos e alegorias
- Musicalidade e sugestão
- Pessimismo e misticismo
- Linguagem vaga e imprecisa
Principais Autores:
- Português: Eugénio de Castro, Camilo Pessanha
- Brasileiro: Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens
Modernismo (Século XX em diante)
Movimento de ruptura com o passado, marcado pela liberdade de expressão, experimentação linguística, nacionalismo crítico e pela fusão de temas cotidianos e eruditos. Divide-se em diferentes fases, com características distintas.
Características Gerais:
- Ruptura com o passado e o academicismo
- Liberdade formal e temática
- Nacionalismo (crítico e ufanista, dependendo da fase)
- Linguagem coloquial e inovações gramaticais
- Humor, ironia e crítica social
- Verso livre e ausência de pontuação tradicional (em algumas fases)
Principais Fases e Autores:
- Primeira Fase (Heroica – 1922-1930): Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira. Foco na destruição da linguagem tradicional e na busca por uma identidade nacional.
- Segunda Fase (de Consolidação – 1930-1945): Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz. Aprofundamento das temáticas sociais e regionais, com maior preocupação com a forma.
- Terceira Fase (Pós-45/Geração de 45 e a Geração de 50/60): João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Telles. Busca por experimentação mais radical, novas temáticas e formas de expressão.
A Importância de Conhecer as Escolas Literárias
Entender a sucessão e as características das escolas literárias permite uma leitura mais crítica e aprofundada das obras. Ajuda a compreender as influências, os diálogos entre os autores e as mensagens que cada período buscou transmitir.
Para estudantes, esse conhecimento é crucial para a interpretação de textos em provas de literatura, linguagens e redação, além de enriquecer a bagagem cultural e a capacidade de análise do mundo ao redor.
Exercícios com Gabarito
1. (ENEM 2022)
A poesia parnasiana, em geral, se caracteriza pela busca da perfeição formal, pela objetividade e pelo descritivismo. São frequentes os versos alexandrinos (de 12 sílabas poéticas) e a temática inspirada em elementos da antiguidade clássica ou em paisagens exóticas. O ideal de “arte pela arte” reflete uma preocupação com a forma sobre o conteúdo.
Considerando essas características, qual dos trechos abaixo melhor exemplifica a poesia parnasiana?
- a) “Eu deixo a vida como deixo o tédio: / Não mais o amor, que ainda não senti, / Não mais o tédio, que principiei…”
- b) “Ó mar salgado, quanto do teu sal / são lágrimas de Portugal! / Por te cruzarmos, quantas mães choraram…”
- c) “Mármore frio, em tuas veias corria / A força do meu corpo, a força imensa / Da juventude que em mim se despenha…”
- d) “Nas tardes claras, à beira do rio, / Correm as águas, vão cantando, vão…”
- e) “No silêncio dos pinhais, / Numa alcova, ao pé do altar…”
Resposta: Alternativa c: O trecho exemplifica a busca pela perfeição formal, o descritivismo (mármore frio) e a temática clássica (evocação de elementos da antiguidade).
2. (ENEM 2021)
O poeta simbolista busca, muitas vezes, a sugestão, a musicalidade e o mistério em sua obra. A linguagem tende a ser vaga e metafórica, explorando temas como a espiritualidade, o inconsciente e a efemeridade da vida.
Analise o poema abaixo:
“O morro erguia-se, sombrio e imenso, / Com suas nuvens de véu esmeraldino. / Um silêncio profundo, intenso, / Cobria tudo, num sono cristalino.”
Este trecho evidencia características do Simbolismo por meio de:
- a) O uso de palavras como “sombrio” e “profundo”, que remetem ao pessimismo romântico.
- b) A descrição detalhada da paisagem, típica do Realismo.
- c) A objetividade na representação do morro e da vegetação.
- d) A sugestão de mistério e o uso de adjetivos que evocam sensações (sombrio, imenso, profundo, cristalino).
- e) A preocupação com a métrica rígida e a rima emparelhada, característica do Parnasianismo.
Resposta: Alternativa d: O trecho demonstra a característica simbolista da sugestão, do mistério e do uso de adjetivos que evocam sensações e imprecisões, em contraste com a objetividade ou o pessimismo romântico.